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sábado, 30 de junho de 2012

Hora roubada


Via as luzes dos carros 


derramando-se em torrentes de claridades ofuscando a 


Visão


como miragens brancas no deserto...




Via a faixa onde teria de dizer adeus às coisas amadas


tão novas, apenas vistas e já passadas...






Via um corpo grande andando na noite



deformado e até mesmo feio


como cruelmente lhe disseram


mas não importava



Possuía mil traços

mil pedaços

quebrados,

irrecusáveis,

Irritantes,

revoltantes...





Assaltada de repente por essa fisionomia horrível



aumentando sempre

exasperante

torturante como um pesadelo

como um remorso

Balbuciante:

Não enlouquece!




Aumentava o passo mais e mais
tão desgostosa de chegar

Meia hora ganha
depois um quarto de hora nessa caminhada
Uma hora roubada
Permaneceria apenas quarenta minutos
e estaria terminado mais uma vez
Por que voltava?
Ah, por que?








Iria nessa escuridão


escorregando sobre o clarão 


Mlailin











Um comentário:

Antonio Siqueira disse...

Vive-se perigosamente.
Belo post!