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Mostrando postagens de Junho, 2011

CAMINHO SUAVE

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Tem crianças que aprendem a gostar de livros com os pais.  Não lembro uma única vez de ter ouvido minha mãe lendo algo para mim.  Tenho outro tipo de recordação dela em minha infância, mas essa está em branco.  A escola fez isso por mim.  Aprendi a ler em uma linda escola na cidade de Aluminio/SP.  Isso esta pintado em minha mente em todos os seus detalhes como um bonito quadro de Van Gogh.  E eu como se estivesse em pé, olhando a paisagem do campo.  Era um momento único, vieram quebrar a monotonia de minha existência e tem sido sempre assim, sempre quando minha solidão parece insuportável. Os anos que transcorreram: Nunca esqueci.  A grande lousa e a professora colocando figuras com as vogais. Com o tempo outras cartilhas foram surgindo e mudaram as regras.  Para mim foram sempre essas: A de abelha, E de elefante, I de igreja, O de ovo e U de uva”.  Não eram simples adesivos, tomavam formas, criavam vidas.  Sempre amei a escola, não as badernas que elas se transformaram.  Mas o mundo sagrado que e…

O LABIRINTO

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Quando eu desejei ter todo o tempo do mundo pra mim eu não imaginei que ficaria a maior parte do tempo deitada numa posição sem poder me mexer. Onde foi que eu pedi errado? E quando os dias passam e olho para as roupas esparramadas na cama e aquelas que caíram no chão e não consigo abaixar para pega-las, então digo: quando estiver melhor farei isso. E os dias passam e isso nunca acontece. E no banho o sabonete cai no chão e se tiver quatro deles disponíveis todos cairão no chão. Deve existir um meio de conseguir sentar na cama e cruzar as pernas. Mas não, é sempre de bruços, pra logo mais a noite, na madrugada acordar em dores, sem posição e ir mancando até o fogão esquentar a bolsa de água quente. E na maioria das vezes esqueço a panela no fogo e só lembro quando sinto o cheiro de alumínio queimando. Onde estão as pessoas que cuidei? Que penteei, fiz massagem, troquei, dei banho, contei histórias para que dormissem... Tá certo que estão todas mortas, mas não fui eu quem as matei. Meu…

VOCÊ SABERÁ

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Exagerou de modo bem definido o seu silêncio. Não tinha no momento nada a dizer. Virou o rosto e ficou olhando os carros que passavam na estrada enquanto L.A. observava a sua fuga e tentava ler seus pensamentos. Antes que isso acontecesse procurou um assunto. Qualquer coisa. Invadia-a uma sensação irreal. Percebia o pouco que conhecia esse homem, e o pouco que gostava dele. Detestava a sua magreza e não suportava o seu repugnante cheiro de cerveja. Devia ser amável, um pouco de ternura. Ele não a levava a qualquer lugar, estava levando-a para um hospital. E isso não era pouco. A verdade é que ela sabia que ele havia esperado esse momento por 30 anos. Todos sabiam. A vizinhança inteira sabia. Deveria perguntar por que ele havia se separado? E agora? Não tinha coragem de olhar em seus olhos pois sentia que eles transbordavam luz e alegria. Era com efeito tão fantástico, que lhe passou pela cabeça a ideia de que a aventura até podia tornar-se muito divertida. E é quando estamos doentes q…

BIDÊ

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 PARECE QUE FAZ MUITO TEMPO. 
FOI NO TEMPO EM QUE EU ERA DONA DO MEU NARIZ E IA ONDE QUERIA. 
AGORA QUEM MANDA EM MIM É A DOR. 
É ELA QUEM DIZ : HOJE VOCÊ VAI FICAR DE CASTIGO ESTIRADA NESSA CAMA. 
SE PUDESSE DIRIA A ELA: TÔ CAGANDO PRA VOCÊ. 
MAS CHEGA UM DIA NA VIDA DA GENTE QUE ELA FICA ALI NA NOSSA FRENTE, SEM NUNCA TER SIDO CONVIDADA, TODO SENHORA DE SI, DIZENDO: QUEM MANDA AQUI AGORA SOU EU! 
LEMBRO QUE ERA UMA DELICIOSA TARDE DE VERÃO. 
FAZIA ALGUMAS HORAS QUE NÃO LIA NADA E JÁ ESTAVA ENTRANDO EM SURTO. 
ESTAVA TAMBÉM COM SEDE E PRECISAVA IR AO BANHEIRO. 
LEMBREI DA CASA DAS ROSAS. 
MAS O SACO DAQUELA CASA É A FUNCIONARIA DA BIBLIOTECA, NÃO PODE ISSO, NÃO PODE AQUILO, NEM BEBER ÁGUA ENQUANTO SE LÊ PODE. 
DEI UMA OLHADA COMO QUEM NÃO QUER NADA E VI QUE ELA ESTAVA OCUPADA COM UM VISITANTE, 
E O SEGURANÇA ESTAVA FALANDO PARA ALGUÉM A MESMA LADAINHA DE SEMPRE. 
FECHEI A PORTA E COLOQUEI O AVISO QUE ESTAVA ATRÁS DA PRIVADA: EM REFORMA. 
E ALI ESTAVA EU COMPLETA. 
UM CADÁVER DENTRO DE UM BANHEIRO, …

UMA NOTA - II

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UMA NOTA   Não te conheço pessoalmente Alias vi somente seu corpo passando perto de mim na CCV Que nossa amizade se fortaleça dia a dia você é o que eu chamo no sentido mais verdadeiro e puro da palavra "minha amiga"...  Ainda ignoro se algum dia nos falaremos face a face, mas não acha que isso já é o bastante? 
 mlailin (P/ Patricia Romiti)

UMA NOTA

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UMA NOTA - O sol penetra pela janela da sala, desejaria que ele alcansasse minha cama, mas não ele pousa nos livros, os livros não precisam de sol tanto quanto eu nesse momento. O frio foi feito para os sadios não para os doentes.Já te falei sobre o desejo de deixar esse estado e ir para outro onde o calor nunca acaba e o sol nunca se põe? São 8:19, o relógio anda ligeiro, eu não preciso me apresar para mais nada.`Para que olhos, para não ver mais nada? Olhos sensíveis, mas sensíveis a quê? Vocês compreendem, não é,  que estamos sós. Sós e aprisionados numa tela. Está me censurando? Claro, você tem ao seu lado aquela natureza jovem, saudável, aquela inteligência que desperta, cheia de promessas... É para a sua amizade que eu apelo. Fale!
MLAILIN

O GRITO

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se ao menos esta dor servisse
se ela batesse nas paredes
abrisse portas
falasse
se ela cantasse e despenteasse os cabelos

se ao menos esta dor se visse
se ela saltasse fora da garganta como um grito
caísse da janela fizesse barulho
morresse

se a dor fosse um pedaço de pão duro
que a gente pudesse engolir com força
depois cuspir a saliva fora
sujar a rua os carros o espaço o outro
esse outro escuro que passa indiferente
e que não sofre tem o direito de não sofrer

se a dor fosse só a carne do dedo
que se esfrega na parede de pedra
para doer doer doer visível
doer penalizante
doer com lágrimas

se ao menos esta dor sangrasse Renata Pallottini


SOMOS UM MAR DE FOGUINHOS

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PRA QUE SERVE A UTOPIA?

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SE NÃO ESTA NA LUA ONDE ESTÁ?

CARNET D' ADRESSES

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É uma caderneta de endereço  Uma agenda pequena. Foi um presente de Sergio Jones Mendonça. Não sei por onde anda Sérgio. Não consigo imaginar como nunca cruzei com ele pelos metrôs, pelas ruas e travessas da Paulista, como não cruzar com alguém  louco por filmes, teatro, viagens e livros? Ele gostava de  dar presentes. Livros eram o seu e o meu presente preferido. Acho que foi com ele que aprendi a ter os livros esparramados por toda a casa como companheiros inseparáveis. Ele sempre sabia quais os melhores lançamentos. Ah, como é bom estar entre pessoas que lêem! Quando soube que estava indo de mudança, Sergio me trouxe esta agenda. Na época ele trabalhava na livraria francesa, próximo a estação República.  Ensinou-me algumas palavras em francês a única que recordo é esta: ‘Je suis desole’ que significa eu sinto muito. Tenho certeza que nos meus momentos de delírios virão à tona outras palavras.    As anotações que aqui encontro calam fundo em mim. Todos os medos adquiridos estão aqui.…

LAILIN E BUÍAH

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Cartas trocadas... Entre Mlailin e Buíah


Cara Buiah,
          Fiquei muito triste em saber que você perdeu seu celular. A última vez que eu o vi ele estava em suas mãos. Depois me virei para fazer a capa para seu livro e não notei aonde você o colocou, mas conversando com a Neusa ela disse que viu você colocando em seu bolso. Eu acho que você o perdeu quando esteve em Londres desbaratando aquele bando de criminosos. Você atravessava a ponte de Westmister depois cruzou a ponte de Waterloo. Foi do outro lado do Tâmisa em Alwych (termo anglo saxônico para “velha aldeia”) Foi nesse trajeto que caiu do seu bolso o seu lindo celular cor de rosa. Tente se lembrar force um pouco a mente que tudo vira a tona. Espero que seus pais tenham entendido essa perda e não tenham ficado bravos com você. Eu fiquei muito triste e desejei ter muito dinheiro pra te comprar outro mais lindo e mais sofisticado. Mas depois fiquei pensando; Que importa a matéria? Por que ficar triste com tantas coisas lindas pa…

MULHER DE SORTE

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Seu nome é Anna Que diabo é uma Anna no mundo? Anna é um absurdo É um simples sonho mau Olhem para ela É a última na fila do banheiro do H.C Esta com a cabeça abaixada enquanto as lágrimas escorrem do seu rosto Uma senhora coloca a mão em seu ombro e pergunta: Está tudo bem? Diz que sim enquanto anda em círculos procurando uma posição para ficar Duas horas de espera no frio corredor do hospital que dizem ser uma cidade Imaginou fazer aquilo dia após dia, ano após ano, ate que foi Enviada a um outro médico numa rua sem saída Um prédio de tijolos amarelos O médico olhando para ela dis…

AMIGO

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Eu pedi um amigo
...e conheci vc,
eu pedi alegria
...e vc sorriu
eu pedi carinho
e vc ofereceu
...seu ombro,
eu pedi por vida
e novamente
...chegou vc
então entendi
que vale apena
viver plenamente
quando se tem:
um amigo
...como vc!!! ELIZABETH BISHOP

A ARTE DE PERDER

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Uma Arte
A arte de perder não é nenhum mistério tantas coisas contém em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouco a cada dia. Aceite austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. Um império que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério. Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo) não muda nada. Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser um mistério por muito que pareça (escreve) muito sério.
(Elizabeth Bishop;

E ESTAVAS TÃO PÁLIDA FLOR MIMOSA DO VENTO CRUENTO

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MEUS AMORES

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PRA NÃO DIZER QUE EU NÃO FOTOGRAFEI AS FLORES

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AMO-OS CARINHOSAMENTE

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Fecho a tela da pesquisa
Melhor não saber nada
Coisas que para dizer a verdade temo Passo longas horas No processo de espera Longos dias deitada Longas noites procurando nomes... Tantos nomes difíceis de gravar May, Selenia, Valéria, Dani, José, Romério... Não há nada melhor Do que acordar na madrugada E ver que estão todos ali Me dizendo alguma coisa Enquanto eu aborrecida e indisposta Tentando mudar o sentido Então, Patricia, insistia nos eventos Uma vez ou outra contava os episódios de sua vida Seu trabalho Suas lutas Eu, silenciosa e absorta Passando as horas Olhando a tela Uma música e uma voz dizendo: Será um brilhante, um brilhante dia de sol Pensei nisso - pensei e pensei Fecho os olhos e Olho para as nuvens O esplendor do mar e do sol enquanto as palavras jorram rápidas e eloquentes como nunca.
Mlailin