terça-feira, 6 de setembro de 2016

Na terra dos tugas


Cada um viaja em sua viagem como quer. Eu comecei vendo vídeos feitos por brasileiros de como é viver em Portugal. Quanta conversa mole tive que ouvir. O disparate maior foi um Brasileiro reclamar da água gelada do mar. Não existe coisa melhor para ossos atrofiados juntamente com as algas da amorosa deslizando pela pele. É com a sensação do choque frio da amorosa que caminho todos os dias.


Fazer um viagem para um outro país pode ser tão simples quanto descer a Serra até Santos. Depende do modo que você encara. Tem gente que se joga no abismo depois vai criando asas pelo caminho. Outros meditam até a morte, esquecem que a terra foi lhes dada até a sua parte mais distante sem divisão.

O mais difícil para uns é escolher a mala que caiba uma vida. Outros vão com a roupa do corpo. Eu? Sim eu! Bom, com uma semana de antecedência comprei a passagem pela Lufthansa com escala em Munique e la fui grande parte da viagem lado a lado com o céu estrelado. Em Munique quando chegou minha vez de apresentar os documentos, a policia da fronteira fez o que eu temia, perguntou em grego onde estava a passagem de volta. Sei que foi isso porque uma senhora atrás sorrindo me salvou, quebrando minha perplexidade diante de uma pergunta que meus ouvidos teimavam em não ouvir: onde estava a passagem de volta? Quando você recebe uma visita na sua casa você pergunta quando ela vai embora? Que horror! Nunca me senti tão ultrajada quanto naquela manhã.


Agora em outro avião, não mais com aquelas aeromoças e suas fisionomias cheias de "gentileza" empurrando carrinhos recheados de guloseimas e bebidas. O banco era duro e ao invés de uma pessoa do meu lado eu tinha três. Em Lisboa foi só descer a rampa e seguir as pessoas que iam em direção a esteira circular onde estavam as malas e dirigir em direção a seta exit. Passei por uma porta e estava no olho da rua. Tem certeza Lai? Não, não tinha. Fiquei procurando eles. Eles quem? Os caras que olho no olho perguntariam: Quando você vai embora? Juro que como uma criminosa, com o coração na boca, comprimindo a bunda para dentro eu procurei e não achei ninguém. Achei um sol luminoso la fora. E olhando melhor me senti em casa. O aeroporto nao tinha nada daquelas parafernalias onde você se perde em um labirinto, parecia uma estação de trem do tempo do Barão do café estilo Santos a Jundiai. Um segundo Brasil sem samba, agora com fado, kizomba e Cristhiano Ronaldo.


Lai



quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Hospital São João - Porto Portugal



Logo na recepção da entrada uma placa diz:

"Em cada um de nós ha um segredo uma paisagem 

interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e 

paraísos secretos" 

-Saint Exupéry


Para não estar com a malta rodando em círculos pela Ribeira e rua dos Aliados, 
procurei outros sítios turísticos, visitado o ano inteiro. Encontrei um não porque me 
indicaram, foi depois de ouvir a voz metálica que dizia "Hospital São João" Pensei até 
em ficar doente para conhecer ele, ai fiquei sabendo que no meu caso somente em 
caso de urgência. Se seu fundador Dr Hernani Barros Monteiro fosse vivo 
perguntaria 
a ele: Dr. Por que meu esqueleto está tão visível diante de mim?


Quando perguntei para uma senhora onde ficava o hospital São João ela disse 
apontando: sempre em frente, sempre em frente....
Olho para ela desconfianda pois fui educada pelos mineiros de Minas Gerais/BR, que 
logo ali uai, são léguas de distância. O logo ali português é ali mesmo depois de duas 
quadras.
Entrei pela recepção dei umas voltas e fui parar em um lugar onde as pessoas 
sentavam e fumavam. Parecia uma obrigação . Conversei com um senhor de Santo 
Tirso, carregava ele um plástico quadrado com um líquido dentro. Perguntei se tinha 
feito cirurgia. Disse que estava tirando água dos pulmões. Depois perguntei sobre 
aquelas manchas vermelhas nas pernas. Disse que era má circulação. Pensei: Não 
adianta, esse povo fuma muito e não tem jeito. Meu interrogatório inquisitor foi 
interrompido quando....
Ouvi alguém no telefone perguntando: xuxu, você está bem?

E essas moças de macacão azul quem são?

Andei por todos os corredores e portas que estavam abertas. Subi e desci escadas. 
Que paz que é andar por um lugar onde ninguém está tirando selfie e longe do 
compre isso compre aquilo....

Não vou nem dizer que milhas de distância esta esse hospital de um hospital 
Brasileiro onde a massa segue em procissão para a morte.

Passei pela sala de operações e vislumbrei o quarto de um paciente: perguntei 
mentalmente: como estás? Não obtive resposta... e assim entrei.

lailin


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Porto - Portugal .... caminhando com Lai

Caminhando com Lai 

Cada um se cura de um jeito


Eu me curo caminhando. 


Foi assim que ontem, para não entrar em estado de coma, fui na Decathlon e comprei 

meu equipamento: tênis, camiseta, bermuda e mochila. 


Se de onde estou até ao centro não dá nem cinco minutos de metro, 

isso significa que uma caminhada até à rua dos Aliados não passará de uma hora. 

Está certo que tive que descontar os lugares por onde parei. 

A papelaria em que comprei uma caneta.... 

A perfumaria em que entrei.... 

é digno de nota que em alguns lugares os atendentes 

deixam de ser simpáticos quando ouvem meu sotaque. 

Talvez sintam que eu não significo lucro, cifrões... 

Nem me importo, gosto de olhar e ficar comparando 

e convertendo valores, euros em reais. 

Devo dizer que no meu estômago surge um bolo de sangue e desgosto.


Gosto de olhar as casas e imaginar que cada uma tem uma história, 

algumas até ja foram um lar... 


olho uma trepadeira que nasce e morre no concreto ...




 Descubro que a rua da Firmeza corta

 a rua da Alegria 

e que a palavra velho não ofende velho nenhum, embora eu prefira a palavra idoso. 

O Porto está cheio deles. 

Gosto de parar um somente para pedir uma informação. Informam sempre com 

simpatia devem ter muito para contar.


Minha caminhada terminou com menos de 40 minutos, se fosse no Brasil eu levaria 

três dias e três noites, assim como Jonas na barriga do peixe. 


Uma procissão de turistas passa por mim. 

Outra atravessa a rua com destino a estação São Bento. 

Está na moda saia plissada. Vejo-as de tudo quanto é cor e tamanho. 

É bom ficar assim sentada na grama olhando a malta passar. 

O ruim é não ter ninguém para conversar.