quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Igreja de São Martinho de Cedofeita





Como se escreve uma história de era uma vez?

Era uma vez um rei....
Era uma vez um rei Suevo originário da região entre os rios Elba e Oder na atual Alemanha....
Que durante as invasões bárbaras fugiu com sua família e fundou um Reino na antiga província romana de Galicia atual norte de Portugal e Galiza. ...
Era uma vez um rei desesperado por não encontrar a cura para a doença do seu filho...





Foi em uma tarde ensolarada como hoje que o rei sentou no mesmo lugar que agora estou e ficou a pensar... Assim, como, quando tentamos entrar em um local que necessitamos e a porta se fecha e gritamos por favor abram...




Do meu lado direito vejo uma criança, uma menina acompanhada por uma senhora. Brinca debaixo de uma árvore. Deve ter seis anos, tem a cabeça a raspada e aquela cor estranha que possuem as pessoas que passam pelo processo quimioterápico. Como o rei acompanhado do filho eu não estava só. Do meu lado direito agora existe uma outra igreja, mais moderna, parecida com aquelas aberrações existentes na avenida Celso Garcia em São Paulo. A única coisa bonita nela é o sino que no momento apropriado deu sua badalada e tocou Jesus Cristo alegria dos homens de Bach.


Vivo não somente quatro horas a mais. Vivo um enorme pulo de quarenta anos ou séculos
no futuro e no passado. Sou levada como imã para o ano de 1059 o ano em que o rei Teodomiro mandou rapidamente construir a igreja em agradecimento pela cura da doença do seu amado filho.


Era uma vez um rei desesperado porque não encontrava cura para a doença do seu filho, em desespero acudiu a São Martinho de Tours enviando a esta cidade embaixadores com prata e ouro. Tendo seu filho curado ordenou a construção de uma nova igreja em honra ao referido santo. Com a mesma rapidez que a morte retrocedeu dezenas de degraus, a igreja foi construída com tal celeridade que no final foi dito: Cito Facta. Que significa feito cedo, derivando em Cedo feita.

Foi em uma tarde como está que hoje vivo.
Era verão e o sino da igreja tocou de forma diferente, repicando seu som espalhando forte e penetrando por todos os ares a alegria que devemos ter por toda a nossa vida, porque temos um Salvador que diariamente nos ajuda e no devido tempo traz a libertação.

Lailin


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Tribunal Regional do Trabalho - Ruy Barbosa

Não foi na primeira vez que estive lá que fiquei curiosa sobre a construção e o nome dado aquele concreto de cimento armado. No primeiro dia, por volta das 13hs da tarde enquanto caminhava com meu amigo procurando a rua Marques de São Vicente, ao perguntarmos para um pipoqueiro onde ficava o prédio, depois da informação meu amigo se virou e disse: O prédio do Lalau. Naquela tarde não estava disposta a pensar muito sobre. Foi só mais tarde que fui atrás para reavivar os fatos em minha mente alucinada, foi aí que fui lembrando do escândalo e de um prédio que ficou anos como assombração na memória do povo brasileiro. 


“Inaugurado em 26 de março de 2004, o Fórum Trabalhista Ruy Barbosa carrega em sua história um dos maiores escândalos de corrupção do país. A construção do “Fórum do Lalau” – alusão ao juiz Nicolau dos Santos Neto – foi iniciada em 1992 e custou aos cofres públicos mais de R$ 200 milhões. Os valores corrigidos chegam a R$ 1 bilhão” (Dados obtidos em matéria publicada em 23.03.2014)
Na segunda vez quando atravessei a rua para ver melhor a grandiosidade da construção, levei um choque ao ler o nome dado ao prédio Ruy Barbosa. Fiquei pensando com meus botões: O que um nome tão decente faz em uma construção famosa pela sua indecência? “No dia 26 de março de 2004, 12 anos após o início de suas obras, o edifício foi finalmente inaugurado, na capital paulista. A nova denominação dada ao complexo, o nome Ruy Barbosa, talvez tenha sido uma tentativa de desvincular o edifício do nome de seu idealizador - e durante algum tempo principal beneficiário -, o juiz Nicolau dos Santos Neto”.


Quem foi Ruy Barbosa? Pelo exemplo de ética profissional e talento jurídico, a memória de Rui é fonte de inspiração para um grande número de brasileiros e para a classe de advogados em geral, tanto que, em 1948, foi eleito pelo Conselho Federal da OAB como “Patrono dos Advogados Brasileiros”.


Que fim levou esse Lalau? Perguntei aos meus botões e novamente fui atrás: “O ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, conhecido como "Lalau", 85, deixou a Penitenciária 2 de Tremembé, em São Paulo, por volta das 10h30 desta terça-feira (3). Ele estava preso desde 2000, e recebeu indulto. O patrimônio do ex-juiz quando presidente do TRT incluía uma casa luxuosa no Guarujá, um apartamento em Miami (EUA) e US$ 4 milhões (cerca de R$ 8,5 milhões) em uma conta na Suíça - todos esses bens foram confiscados pela Justiça. Parte do montante depositado na Suíça teria sido repassada para a conta de Nicolau pelo então senador Luiz Estevão, também condenado criminalmente no mesmo processo. (Matéria publicada há três anos atrás) ”


O que mais esse prédio chama atenção? O Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, em São Paulo, foi desenhado pelos arquitetos Décio Tozzi e Karla Albuquerque. A intenção dos autores era desenvolver um projeto que, com sua forma espartana, contribuísse para dissociar da Justiça a imagem de servir apenas à elite. A maior parte dos 19 andares é ocupada pelas varas trabalhistas. Nos espaços que separam os blocos sobrepostos, com pé-direito duplo, estão a área de convivência de juízes e funcionários, de um lado, e, no outro, a sala dos advogados e a Escola da Magistratura, um grande volume cilíndrico vermelho. O segundo piso é ocupado por serviços de apoio ao funcionamento do fórum, além de salas de controle predial. De todos os pavimentos, das salas e das rampas descortinam-se vistas da cidade. Estima-se que, quando o complexo estiver completamente ocupado, por lá circularão diariamente entre 15 mil e 20 mil pessoas.


O segundo motivo que chamou minha atenção foram os suicídios ali praticado: “O Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Zona Oeste de São Paulo, fechou no início da tarde desta quarta-feira (09.03.2016) após uma pessoa morrer em suas dependências, informou a assessoria de imprensa do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) - Em 14.10.2014, a técnica judiciária Amanda Priscila Santos Costa, que é natural de Natal, teria pulado do oitavo andar onde fica a 62º Vara, unidade instalada no prédio do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, localizado na capital paulista. O estagiário de Direito Décio Francisco da Silva, 28 anos, foi encontrado morto no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra Funda (zona oeste de São Paulo), na madrugada desta quarta-feira (31/10.2007). A Polícia investiga o caso, mas suspeita de suicídio.


O que foi feito para prevenir? A administração do Fórum Trabalhista Ruy Barbosa, na Barra-Funda, em São Paulo (SP), determinou a instalação de faixas e tapumes nos parapeitos dos andares. Também foram bloqueadas as rampas que permitem a transição entre os blocos do fórum. Apenas as rampas do térreo e no décimo andar, que é o limite de chegada dos elevadores, continuam abertas.


Por que escrevo sobre isso. Porque Terça feira foi um dia triste. Estive em uma das varas no terceiro andar e fui ouvinte e observadora atenta de um julgamento. De um lado um atendente de call center, o autor, de outro, o réu, a empresa pela qual o jovem trabalhou. 


O que significa trabalhar em um call center?“O atendente fica preso em uma baia chamada de PA e anota o que você cliente fala, depois ele anota o que ele vai fazer para tentar ajuda-lo, ele é cobrado por isso e é penalizado se não fazer. O que é uma baia? Escolha uma das opções do dicionário: 1 Trave ou tábua para separar, nas cavalariças, as cavalgaduras umas das outras. 2 Compartimento individual para cavalgaduras numa cavalariça; boxe. 3 Ambiente separado por divisórias, em escritórios, laboratórios etc. As empresas de call center querem saber de dinheiro, logo os "gurus" de contact center pregam em seus congressos e sites que a "tendência" do mercado é um atendente que entenda de todas as áreas e que resolva o problema rapidamente. O atendente que atende tudo em pouco tempo o atendente tem que solucionar um problema complexo de 7 a 15 minutos graças aos cálculos de suas planilhas, porem muitos problemas se o atendente, quiser de coração, tentar resolver para o seu cliente, leva mais de 30 minutos. Os gerentes querem que cada vez mais, que atendam mais e que tenham várias tarefas (atenda vários setores diferentes de várias empresas) 


Atendente não tem sábado e domingo sempre garantido para folgar. Em call center usa-se o sistema de escala: alguém escala para folgar em vários dias úteis da semana e algum dia do mês folga domingo. As vezes também existem sorteios: sorteios para ver quem vai ganhar algum produto da própria empresa ou apenas sorteios para ver quem vai folgar no final do ano.Em algumas empresas, os líderes já deixam bem claro que o atendente vai chegar, sentar a sua bunda na cadeira e atender sem parar. Esqueça celulares, vida social ou outras coisas que não fazem a sua empresa produzir, o atendente nasceu para apenas atender e mais nada. É claro que você terá uns e outros dizendo que começaram como atendentes e hoje são chefes, mas eles não contam o que fizeram. 


O atendente (autor) tinha direito a duas pausas de 10 minutos, e uma pausa de 20, para o almoço, tudo controlado pelo sistema em uma jornada de trabalho das 15hs às 21:20m. Não era possível ir no banheiro sempre que precisasse, somente era possível nos 10 minutos, registrados no sistema, duas vezes O atendente, (autor), vendia tanto para clientes quanto para não clientes. O atendente em novembro daquele ano bateu a meta da empresa e como comissão além da quantia estipulada iria receber uma promoção, iria subir de cargo, não mais seria atendente. A comissão variava de mil a dois mil. Naquele mês de novembro o atendente (autor) atingiu a meta. E da mesma forma que atingiu e estava registrado no sistema em questão de pouco tempo depois desapareceu sumiu do sistema. Perdeu! Como diz aquele Nóia para você  arrancando violentamente de sua mão o celular que você demorou um ano para pagar. Quando o juiz pergunta para a depoente (testemunha) como era o autor na empresa ela diz: - Foi ele quem me instruiu no trabalho. - E como era ele como funcionário? - Era um exemplo.

Foi aí que ouvi o juiz se dirigir a ele e lhe dar os parabéns.... Isso ficou bem gravado em minha mente e depois gravei o nome do juiz.... Quando acabou, bem que procurei o jovem pelos corredores…
E não consegui achar, queria também dar os parabéns ao jovem e talvez o abraçar.

Por que? Me perguntava... Canalhice? Ou queriam ele como atendente, dava mais lucro a empresa... 

Lá fora o sol estava se pondo, em um amarelo estranho, como se adoecesse


Na saída do portão principal tive o desprazer de presenciar os componentes da empresa, os prepostos e a sua testemunha, na calçada do prédio encostados na grade formando uma roda e sorrindo.... Porque esse julgamento ainda não terminou. 

Lailin 





quinta-feira, 23 de junho de 2016

Houve uma vez um verão





Verão 16

Quando penso em 16, logo vem à mente algo do começo do século XX, e não algo acontecido em um século tão cruel e escuro quanto esse XXI.
Os fatos calam, aquecem o coração e o olhar se perde enquanto penso seu nome...
Quando o conheceu ele estava em um caso e ela entrou em seu privado e perguntou algo sobre sua cidade....
O tempo passou e então, foi ele quem lhe deu atenção sem ela perguntar nada e foi no privado que novamente perguntou algo que agora não lembra mais o quê pois foram tantas as conversas que se seguiram que ficaria bom tempo com o mouse a procura do que falta falar....
Gostava de ver ele encher sua página ou sua casa de fatos logo pela manhã ao acordar ou antes de dormir, falava sobre si, sobre ela sobre o mundo e sobre todos... e sobre nada
Depois com os dias começaram a falar via tele móvel, ouvia sua voz gostava de ouvir seu sorriso, coisa tão rara um sorriso hoje em dia. As vezes quando pensa no som questiona: é feliz?
E então passaram a dormir juntos, deixou que a tocasse, passasse as mãos pelos seus cabelos, pelo formato de sua boca e abriu sem resistência as portas trancadas ao amor deixando que a sua alma se encontrasse com a sua e ali permanecesse em um beijo longo e doce, suas mãos desceram e decifraram seu corpo ponto por ponto e foram aprendendo a ser um e a fazer amor com uma intensidade e um calor que a fazia virar do lado e com a ponta dos dedos tocar o céu as estrelas e a maravilhosa nebulosa de Órion tão dentro de si.... Fechava os olhos e sentia seu suspiro quente em seu seio enquanto dizia: meu homem!
Um dia,
Aconteceu um dia triste, não era como o de hoje nublado 15 graus, era um dia ensolarado, afinal as bruxas dançam também ao meio dia no calor de 30 graus...
Foi o dia em que recebeu a mensagem de que estava sendo usada. perguntou: Mas se usa o que não existe para ser usado? O que é ser usada? Como alguém pode usar o amor? Seria assim, como quando emprestamos um objeto?
Ou, destruindo com o rolo compressor?
Bastou uma foto e ela veio. Ficou exposta ali bom tempo para que a visse, por duas semanas inteiras. Para dar tempo. O tempo suficiente do contentamento.
Sentada em uma mesa de uma cozinha de um apartamento que foi apresentado para ser um ninho...
Na sua frente uma garrafa de vinho e atrás uns olhos estranhos de satisfação, meio torpe, um tanto vil um tanto desprezível.
Não sabe como viveu ou o que fez naquele dia ao andar pela avenida com passos meio torto, ora cambaleante, ora mais rápido, ora em câmara lenta e depois no metrô a massa ficou toda cinza e esquecia de pedir licença ou de entrar calmamente como sempre fazia... foi empurrada com os demais
sabe que olhou para o rosto de cada um em ponto de náusea e perguntou bem baixinho para o homem em pé do seu lado: Ainda é tarde? Para onde vão? Por que vão?
Ainda teve tempo e jogou a quarta pergunta: Vai anoitecer ou já anoiteceu neste dia? Não sabe se ele ouviu lembra que a olhou com olhos que pareciam não ver e ouvidos que se encheram do barulho das rodas do trem. Ela olhando nos seus olhos porque não existia outro lugar em que olhar já que estávam comprimidos um ao outro pela lata de sardinha. Murmurou: Não existe lugar para ir.
Não existe mais sol, não existe mais mar, dia e noite.... E em voz baixa: somos pedras.

Não sabe como chegou em casa,
se demorou dias, anos,
se anoiteceu, ou amanheceu no outro dia ou algum dia depois,
Lembra que seu corpo rodou em mil pedaços
Enquanto apertou um botão de bloqueio e depois lentamente os dias agonizaram...

Crônicas de Lai