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Mostrando postagens de Abril, 2011

MISSING

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“Procuro nas nuvens o seu sorriso. Soube que é seu último rastro...”
O sentimento de perda debilitou-me. Passei a noite toda pensando onde encontra-lo. - Onde? Onde quiser – Digo a mim mesma enquanto olho nuvens negras se formando. - Carlos! – Quando pronunciava em meu íntimo o seu nome, um meigo olhar, envolto nas dobras de uma manta, e um sorriso lindo nos lábios brilhou diante de mim, e logo depois desapareceu como um fogo fugaz pela esquina da Praça Oswaldo Cruz. - Carlos! – Voltei a chamar enquanto entrava na casa das rosas. Precisava entrar na biblioteca. Um lugar silencioso. Sentir palpável e viva a lembrança que desde a véspera flutuava em meu pensamento. A sua imagem perturbou-me com uma persistência estranha. - Por quê? – Perguntei-me. O desejo de justificar-me apoderava-se de mim; um desejo confuso a princípio, logo mais claro, mais agudo e vivo. E resolvi juntar as peças para assim entender esse sentimento que renasce agora quando passou tanto tempo. Tiro minha agenda da bolsa.…

ENTROPIA

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"Como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes... Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saia o arco-íris. Um arco-íris que cubra a terra de um extremo ao outro...” – Murilo Rubião. Acordei várias vezes durante a noite sentindo um frio gelado que entrava pela janela, mas se a janela estava fechada de onde vinha esse frio? Não iria levantar pra ver. Poderia pegar outro cobertor, mas isso significaria levantar da cama? Não! Era só levantar o corpo, o cobertor estava no final da cama. Esse simples processo poderia acordar meu cérebro e eu estava no meio de um sonho. Ele poderia se perder não que fosse bom, não existem mais sonhos bons, se é que algum dia eu tive algum. Eram todos repetitivos, todos conhecidos. Estava cansada deles. Estava cansada de passar pelo ritual, o ritual do começo do sono. Um processo tão trabalhoso que a simples ideia de interrompê-lo me deixa aflita, porque é melhor dormir do que acordar. Fechei os olhos…