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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Ouse


O vento agitava a barra da sua saia

e o xale estranho que ela trazia nos ombros

Era uma mulher bonita

era a mulher mais bonita que jamais vira

Tinha bonitas pernas e usava lindos vestidos

e seus cabelos estavam sempre bem arrumados na

parte de trás

gostava do seu rosto

dedicou a ela seu pensamento


Gostava do jeito que ela andava

muitas vezes ia até a porta da frente

somente para ver como ela andava



Gostava da sua pele

gostava da maneira que ela sorria

gostava do seu cabelo negro

nos ombros

E os ombros eram brancos

acima da parte bronzeada pelo sol

Gostava das suas mãos

deslizando pelo seu corpo 

enquanto ela se lavava na banheira

subia vagarosamente as escadas

em direção ao final do corredor

somente para vê-la

e esses gostos a faziam sentir-se esquisita



Da porta dos fundos via-se a floresta

que descia até o rio

Era muito bonito

na primavera e no verão

Azul e brilhante

Tinha medo

Não conseguia dormir bem

só de pensar nela

Na noite anterior não conseguiu dormir nada

pensou que não dormiu

porque tudo se juntou em um sonho

a respeito de não dormir

e não dormiu

Quando viu

já era manhã

levantou fraca e meio doente por dentro

Não queria voltar pra cama

sabia que ela logo sairia e queria vê-la

queria levar sua visão para a cama

pensava intensamente nela quando ela se aproximou

Tinha os olhos brilhantes 

e os cabelos em desalinho


Podia sentir sua respiração

e depois colocou os braços em redor dela

e a apertou contra a cadeira e a beijou

Era uma sensação tão aguda

Tão intensa

que pensou não poder suportá-la

Saíram pela porta

Tinha os braços em torno dela

e de quando em quando

paravam e se abraçavam e se beijavam

Não havia luar

caminharam por entre as árvores

até a margem do rio 

Uma nevoa subia 

quando tiraram o casaco

seguiram cuidadosamente em direção a água

Pensou ouvir dentro de si:

“Você não deve, não deve”

“Preciso. E vou. Você sabe que precisamos”



Subiram de novo e desceram mais uma vez 

quando seus pés tocaram o rio Ouse

No frio da noite

um cheiro de jasmim, rosas, dama da noite... 

Flutuou sobre a cidade

com uma hesitação de seres desenraizados

em procissão de dois em dois

Mlailin

P/ Virginia Woof





2 comentários:

Elizabeth disse...

Parabéns Marcia!!!
Linda e impecável postagem..showww de texto e imagem!!

Jorge Sader Filho disse...

Envolvente trama de amor que você armou, Marcia. As fotos foram também muito condizentes com o texto.

Beijo,
Jorge