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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Doroty Stang - Seis tiros - Um na cabeça e cinco no corpo



Enquanto ia tirando o pó dos móveis ia pensando...
Enquanto ouvia Ludovic Einaldi ia pensando...
Enquanto andava de um lado para o outro ia pensando...
Enquanto comia minha granola com soja ia...
e depois com a agua do chuveiro caindo em meu corpo continuei pensando...
Eu que sempre detestei essa cidade
Eu que sempre detestei esse país
com suas novelas
seus big brother
sua corrupção
seu mensalão
sua pouca vergonha
sua esculhambação
Não conseguia entender
nunca consegui entender
desde aquele dia miserável quando vi pela TV
seu corpo
O corpo de uma senhora idosa caído na lama
sujo e ensanguentado
o rosto cinza enrijecido
a mão na boca
segurando o grito...
nunca mais andaria
nunca mais brincaria com as crianças sobre os joelhos


Hoje eu consigo entender
ainda que vagamente
porque
deixou seu país e sua segurança
Naturalizou-se brasileira,
foi professora de um seminário e ajudou a construir escolas em Anapu
e a treinar professores
Percorreu boa parte das estradas esburacadas da floresta em sua lambreta,
declarando uma paixão incondicional pela natureza.


Quem pode entender isso?

A garotinha que acompanha o voo da borboleta,
A jovem cuidadora de idosos que ajuda um senhor idoso a levantar da cama
O casal de idosos que contempla um pôr-do-sol magnifico
A dona de casa que admira seu arranjo de rosas
Todos os que centram sua atenção na beleza e no amor ao próximo

aqueles que conseguem ver

tocar

cheirar

sentir

e ouvir

pessoas

animais e

plantas

com todas as forças da natureza incidindo sobre eles





Território selvagem
a noite os fazendeiros se reuniram na sala
conversaram
fizeram planos
tomaram medidas
tudo pronto
selaram o futuro
enquanto bebiam e comiam
Cinquenta mil reais











Eu não consigo

Meu Deus do céu me deixa fora disso

Eu não consigo

eu não consigo entender

essa esculhambação

Eu quero ser como todos

Eu quero ligar a televisão

e torcer pela maldade de uma tal de Carminha

e uma tal de Nina

Como são lindas!

é só o que falam o dia todo

eu quero ficar feliz com a miséria alheia

eu quero ser promiscua

eu quero ser ladrona

eu quero ser assassina

eu quero ser vagabunda!

É isso que vinga 



Meu Deus, me escuta
A cor é verde
verde-esperança
Nos livra disso:




Reyfran das Neves seu assassino. 
Culpado de homicídio duplamente qualificado,
praticado com promessa de recompensa,
motivo torpe e uso de meios que impossibilitaram a defesa da vitima. 



Está no semiaberto desde 2010. 
Trabalha no almoxarifado de uma instituição do governo


Pega ônibus, tem celular e tempo para o namoro 

recém-engatado com a funcionária de uma creche

(Foto acima)






Clodoaldo Carlos Batista, o Eduardo, coautor do crime, se 

aproveitou do regime aberto, que permite passar o dia livre, 

para não mais voltar. Está foragido.  (foto acima)





Amair Feijoli da Cunha, o Tato, 

intermediário do 

assassinato, cumpre pena em regime domiciliar numa 

fazenda no interior

Tato está sempre flanando pelas ruas do município de 

Tailândia, a passeio ou atrás dos afazeres com o gado. 

Sua única obrigação é se apresentar à delegacia local 

uma vez ao mês.





O crime encomendado pelo valor de R$ 50.000 pelos 

fazendeiros  Reginaldo Pereira Galvão, o "taradão"
(foto acima) 


E Vitalmiro Bastos de Moura o "Bida"
(foto abaixo)





Mlailin

Um comentário:

Sonia disse...

É bom saber que ainda existem pessoas sensatas, de bom coração, de boa índole, que são capazes, ainda, de se indignar com as injustiças e gritar por elas...
O blog é uma voz... e voce a utilizou com maestria.
Adorei o desfecho com a música de Morriconi...perfeito!
Bjos