quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Caminhando com Lailin

Para professor Miguel Costa Junior (in memoriam)



Domingo retrasado foi plantado a última muda do seu finado ipê roxo. Vai crescer na fundação Miguel Costa Junior. Quem teve a ideia foi seu filho. Uma vez você me disse que talvez seus netos resgatassem a história do seu pai e a sua. Você se enganou e eu também. Quem esta fazendo isso é seu filho Yuri.





Lembra-se da muda do ipê que você me deu? Eu plantei na casa 215. Alguns anos depois ela se transformou em uma linda árvore. Eu aluguei a casa e a inquilina relapsa permitiu que uma trepadeira tomasse conta do ipê (veja foto) Quando reassumi a propriedade a primeira coisa que fiz depois de serrar o cadeado do portão de entrada foi cortar as amarras do ipê.



Como estou? Estou indo, não tão bem como você. Hoje amanheceu um dia lindo. Mas ontem só por Deus. Frio e garoa, combinando com meu estado de espirito. (veja as fotos)




Em 1999, quando aceitei o convite para ler para um senhor idoso que estava ficando cego, não pensei que iria começar ai um novo tipo de vida. Agora, nesse exato momento, estou indo, não para ler, mas para fazer companhia para uma senhora com câncer em fase terminal. Você sabe quando me meto, não rejeito a parada.




Antes de chegar ao meu destino tiro algumas fotos. Preencho a minha mente com informações, pessoas que andam, deixando próximo, sensações e interrogações em todo o cumprimento da rua. Para onde vão? O que fazem? Por que tanta pressa?


Dê uma olhada nos orelhões da cidade. Estou em frente do Masp. Um grupo se organiza para uma passeata. Falam mal do governo e como berram. Minhas ideias me fogem um pouco. Estou caminhando para mudar esse sintoma desde a rua da Consolação. Meu destino é o paraíso.




Depois de alguma hesitação entre parar para um café ou comprar um livro, decido descer por uma escada que levam até o teatro da Fiesp. Dando alguns passos virei a direita e avancei lentamente para o lugar de onde vinha o som de uma música e voz de criança.




Anoitecia quando cheguei na casa das rosas. Meu lugar de descanso preferido. Estava com saudades da escada, da biblioteca, do cheiro de limpeza, dos livros. Tenho a sensação de viver em outra época. Vi Federico Barbosa no corredor falando no celular. E ao sair juraria que aquela linda recepcionista é Patrícia Romiti. E nem te conto, dessa vez, logo de cara, dou de cara com um livro de Lau Siqueira. Na estante juntamente com outros grandes. (Veja foto)














A cidade esta toda iluminada. Não sei quantas noites mais atravessarei essa rua em direção a esse destino. Na última vez perguntei a enfermeira quanto tempo ainda resta para a enferma. Ela disse que não falava sobre essas coisas. Fala do que então? Nem precisa. Eu escuto sua conversa depois do trabalho. Nos trens, nos metrôs, nos ônibus. Sento em um banco em frente do shopping Paulista e levantando os olhos para o grande relógio redondo como uma lua na torre, olho a marcha dos ponteiros...

Mlailin







Um comentário:

sueli aduan disse...

Belíssimas fotos/textos.
A casa das Rosas, é o máximo sim.


bjus.