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domingo, 1 de abril de 2012

Quebrângulo III parte




A impotência o fez ser cruel

(Elisa) - Na próxima parada acho que vou descer e me arrumar um pouco.



(MA) - Acho que você está ótima assim.


(Onofre) – Concordo que você desça e se arrume, mas estou ansioso para o fim da sua história. Estou acompanhando como um conto, você fala de um modo interessante, fico imaginando como seria no papel, dá vontade de seguir até o final da história.
(Elisa) – E quando comecei a olhar as pessoas em pé esperando no aeroporto... Encontrei-o com seu filho logo no inicio da multidão, meu coração parou e pensei: “Fecha os olhos e finge que não é”. Seu filho estava de carro e nos levou ate seu apartamento. Algo que de inicio tínhamos combinados que iriamos de taxi. No nono andar do seu prédio ele demonstrou de onde vinha tamanha prontidão. Só foi embora depois que seu pai assinou um documento como fiador para suas vaidades. Se houvesse uma bola de cristal ou uma cigana, não teria dado importância. Como não dei importância ao relato de Andrea Cristina in box... No nono andar, fixei os olhos na direção do horizonte e era tão bonito de se olhar. Não o concreto ali na minha frente, mas o que deve ter sido aquilo ali no século 18 ou 19. Como todo lugar que dizem ser paradisíaco, ele se torna paradisíaco dependendo do modo de olhar. Olhe sempre para frente, para o mar, não olhe dos lados e nem atrás e muito menos no fundo. Feche os olhos e escute o barulho das ondas, o vento gostoso em seu rosto e esqueça o sol devastador ou a sujeira acumulada pelos moradores e vendedores espalhados de ponta a ponta..................
Seu filho demorou para ir embora....
Impedindo o abraço e o beijo.......... Quando finalmente saiu nos jogamos um no braço do outro..... Beijamos-nos no instante em que ele fechou a porta e tentamos fazer amor com o sol batendo na janela, a cama coberta apenas com um lençol azul e limpo. Tentamos fazer amor com pressa, porque não 
conseguíamos esperar... Possuir um ao outro e depois ficar transpirando lado a lado. Ficar olhando um para o outro, sorrindo e exclamando: "Eu te amo". Só tentamos. E continuamos tentando os dias que se seguiram.

(Mariana) - Você esta querendo nos dizer que ele não deu no couro? Ele era impotente?

(Lais) - Realmente, você foi parar em uma ilha deserta e o cara...

(MA) - Mas por que ele não fez um tratamento? E por que ele não te disso sobre isso? Que barra!

(Onofre) - E ele tinha vontade de fazer amor?

(Elisa) - Tinha. E eu não me importei. No primeiro dia achei que... Bom, ele arrumou algumas desculpas, e eu não sei até hoje qual é a verdadeira. E outra, é um assunto que não entendo bem e se ele quisesse realmente ser ajudado teria pedido ajuda. Estava sem saber o que fazer, mas isso não era o fim do mundo, não para mim e depois, fui descobrindo suas qualidades. E já que estava ali poderíamos aproveitar de alguma maneira. E foi o que fizemos. Tentamos. Nas minhas dores ele fazia massagem em minha perna, e colocava minhas meias para esquentar meus pés. E se o sabonete caísse eu poderia pedir a ele. Ele estava sempre ali, sempre amável... Eu o abraçava e esperando ouvir: "Eu te amo". Ficava esperando repetir os planos que fizemos para quando chegasse. E eu tinha pensado como seria. Tinha pensado na roupa que usaria e eu não tinha esquecido os documentos... a certidão de divorcio, o documento de identidade, a minha máquina fotográfica para registrar os melhores momentos.... Mas ele não , ele esqueceu de tudo o que foi dito.



Eu tinha registrado em minha mente como seria... Pegaríamos duas testemunhas. Duas pessoas na rua... E depois compraríamos champanhe e iriamos até o mar e molharíamos os pés enquanto nos beijaríamos com as ondas em nossos joelhos e ele passaria as mãos em meus cabelos e eu diria pela centésima vez que não tinha importância, que isso era sem importância. Procurava ver seus esforços. Dia 30 de dezembro, depois de 40 anos fumando, ele havia parado de fumar. Havia tirado a barba... E depois eu nunca iria precisar arrumar desculpas tipo: "Estou com dor de cabeça". Ele sempre me olharia... Não ele nunca me olharia mais profundamente. Coisa difícil para um homem. Mas é uma coisa que afinal eu, talvez nunca vou saber. Mas as noites eram maravilhosas. Para isso bastava levantar o corpo e olhar na janela. logo ali na cabeceira da cama... Não a claridade das luzes... A claridade da lua... A testemunha fiel no céu... Grande majestosa, ali do meu lado atravessando o  céu. Eu afastava o lençol  e sentia vontade de voar e depois descer lentamente no mar... Fechar os olhos enquanto meu corpo caia no mar, cinzento escuro, com suas águas agitadas com um cheiro pútrido...




3 comentários:

Mlailin disse...

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol. (Artur Rimbaud)

amanda disse...

Eu escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.
Arthur Rimbaud

Mlailin disse...

Quebrângulo continua...
depois que terminar minhas provas de quimica
fisica e matemática. Bjs