sábado, 12 de novembro de 2011

Do agora

Li demais
Falei o tempo todo com meus botões
Aos poucos fui livrando o ombro
do peso do pescoço
Levantei
tomei meu chá
Ouvi, distante, o latido de um cão
Que de repente se juntou
com o ruído de um carro
que passou rápido na avenida
Voltei para a sala
O relógio marcava 01:49
Sessenta e cinco amigos no bate papo
e nenhum disponível
Dentro de cinco horas o despertador
irá tocar
E, outra vez, será hora de levantar
Não acendam a luz
Não abram a janela
Nada de luz
Nenhum ruído estranho
Somente o silencio
delicado
que o barulho da cidade
Não consegue quebrar

Marcia Lailin



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