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domingo, 19 de junho de 2011

VOCÊ SABERÁ



Exagerou de modo bem definido o seu silêncio. Não tinha no momento nada a dizer. Virou o rosto e ficou olhando os carros que passavam na estrada enquanto L.A. observava a sua fuga e tentava ler seus pensamentos. Antes que isso acontecesse procurou um assunto. Qualquer coisa. Invadia-a uma sensação irreal. Percebia o pouco que conhecia esse homem, e o pouco que gostava dele. Detestava a sua magreza e não suportava o seu repugnante cheiro de cerveja. Devia ser amável, um pouco de ternura. Ele não a levava a qualquer lugar, estava levando-a para um hospital. E isso não era pouco. A verdade é que ela sabia que ele havia esperado esse momento por 30 anos. Todos sabiam. A vizinhança inteira sabia. Deveria perguntar por que ele havia se separado? E agora? Não tinha coragem de olhar em seus olhos pois sentia que eles transbordavam luz e alegria. Era com efeito tão fantástico, que lhe passou pela cabeça a ideia de que a aventura até podia tornar-se muito divertida. E é quando estamos doentes que nos sentimos carentes, desejosos de ser amados. Por que não se atirar a ela, afundar-se até o desconhecido, banhar-se em sua novidade? Não seria uma alquimia, um refrigério? Começou a acalentar sentimentos doces por aquele absurdo que tocava em sua perna cada vez que o carro dava um solavanco. Que poderia resultar dali? Qual o bem que faria? Poria um fim a essa dor a esse gosto amargo dessa vida escassa, e em seu lugar um coração alegre e uma extraordinária paz de espirito. Estranha coisa, naquele momento, ver como tudo parecia conspirar para fazer completo esse mútuo reconhecimento desse perfeito florescimento de duas vidas que se reencontravam.    
MLAILIN  

Um comentário:

sueli aduan disse...

...em seus olhos pois sentia que eles transbordavam luz e alegria."

Ô Lailin que belo texto!!!Vc me proprocionou(na madrugada)emoção/reflexão com sua prosa poética.
Grande garota, grata!!!
bjão