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domingo, 11 de março de 2012

Lau Siqueira – Não incomode o poeta


A primeira vez que vi Lau, foi em um quadradinho no Facebook. O que me chamou a atenção foi a expressão que ele usou para descrever os tesouros que ele havia ganho durante a vida. A segunda coisa foi a foto que ele escolheu para representa-lo naquele momento: Carlitos. E a terceira foi sua gentileza para com as pessoas que faziam parte do seu grupo de amigos. Como quem não quer nada fui introduzindo minha mente e meu coração em sua página em seu grupo de amigos que passaram a serem os meus amigos. Com o tempo cortei o cordão e segui o meu rumo.

Às vezes eu acho que se balançar a cabeça eu irei conseguir tirar as lembranças como quem diz: “Isso não aconteceu”. Não que incomode, mas é tão triste a vida de um poeta. Talvez tenha sido por isso que, quando te vi na casa das rosas há um ano eu não fui até você e disse: “Olá, eu sou... Prazer em conhecer”. Talvez tenha sido por isso que quando quase no final do ano cruzei com você; eu saindo do metrô paraíso e você seguindo em direção a ele... Foi tudo muito rápido, mas deu tempo de olhar para seu rosto que passou bem próximo ao meu e depois seguir o seu corpo que parava no cruzamento esperando o semáforo abrir. Poderia ter seguido pegado em seu braço e dito: “Lau?” Mas não, não fiz isso. Algo dentro de mim dizia: “Não incomode o poeta”.

Alguns dias atrás como sempre fazia uma vez por semana procurei sua página no facebook e não achei. Perguntando para alguém próximo a ti, ela disse que você saiu do facebook. Droga! - Disse a mim. Onde agora iria ouvir a sua voz? Foi só isso que disseram: Saiu. Como assim? Como alguém tão gentil que nunca fez mal a uma mosca sai assim sem mais nem menos? Será que se despediu E por que não de mim? Fico matutando...

Quero que saiba que também sai. Não porque saíste. Mas porque aquilo lá me cansou até a medula. Cansei de lutar para não ser mais uma a ficar postando florzinhas, coração e músicas e achar que sou o centro do universo. Algo do tipo: “Olhem pra mim”. E outra: Como viver sendo impossível dar a sua verdadeira opinião sobre um fato? Ao contrário de você eu sempre dizia de saco cheio: “Vão ver se eu estou lá na esquina”. Os poetas são diferentes. Grande descoberta a minha. Digo isso porque nunca consegui ser um “doce” é claro que não sou uma amargues, mas tenho uma queda por Henry Miller, Bukowski, Dorothy Parker e alguns outros. Quem conhece entende.

A última postagem que fiz em sua página foi sobre a minha rápida passagem por João Pessoa. Quando o ônibus parou naquela simples e agradável rodoviária me perguntei: “Quantas vezes o poeta ficou sentado naquele banco esperando seu ônibus?”. E depois quando o ônibus esquentou os motores eu fiquei com vontade de gritar para o motorista: “Não vá ainda, preciso descer, andar por essas ruas, preciso localizar um rancho, um lar no meio dessa estrada. Você sabe informar onde fica a Rua Duque de Caxias? Deus! Como é bonito tudo isso!”.

A cidade foi passando... A estrada foi passando... O tempo foi passando... Transformando-se numa grande extensão de terras planas, dourada e cintilante, tão lindo e fantasmagórico como só se vê em um sonho.

Agora estou em casa. Arrumo as minhas coisas e cada arrumação que faço penso: “Como é bom estar em casa” Passei por maus momentos durante uma semana e quatro dias. Mas agora... Bem, agora acordei na madrugada e comecei a pensar em tudo isso e antes que desaparecesse de minha mente resolvi levantar e escrever. Pela minha janela vejo entre as nuvens uma lua um tanto achatada, mais alguns dias e a terra esconderá o seu brilho. Enquanto isso, sou levada para uma noite passada há um mês e bem igual à que esta fazendo agora. Amanhece. Escuto Phillip Glass. Não sei escrever sem fundo musical. Em cima da mesa tenho o livro Texto Sentido e em minhas mãos um envelope registrado urgente para Marcia Lailin.

MLailin





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