quinta-feira, 10 de maio de 2012

Tudo passa sobre a terra



Bem que eu poderia retornar no tempo
e novamente ser a menina/moleque que fui um dia


A minha esquerda há alguns anos existia uma rua de nome Sonia Maria
hoje tem o nome de Mario Covas
E a rua e a casa em que passei minha infância não existem mais





Logo mais a frente
no que é hoje chamado de Estação General Miguel Costa
Era o Matadouro do Km 21
Uma tristeza



Hoje dificilmente se vê um trem de carga
Mas eu lembro muito bem deles
Carregando centenas de bois
indo para o abate
Pareciam aqueles que levaram os judeus para a morte





Como criança eu ainda não sabia o que era tristeza
mas nunca esqueço do olhar daqueles animais
Eles sabiam para onde iam
e pediam socorro




Era na parte do trem de carga onde não havia
paredes de madeira que eu, muitas vezes sozinha
 pulava e ia fazer um breve passeio
Ate a estação vizinha






O tempo passou
os trens mudaram
cada dia que passa ficam mais sofisticados
O matadouro não existe mais
Acabaram com todos os vestígios da minha infância 





"Tudo passa sobre a terra"

Estava escrito em uma romance que achei muito triste





Mas ainda continuo ouvindo o apito do trem
em alto e bom som
como a me dizer
“Sai da linha, sua maluca"

Mlailin


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