quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A DIFICIL ARTE DE AMAR

“A lealdade é uma virtude muito mais elogiada do que praticada”
Andressa:
          Tenho visto pela minha janela você passando pela rua. Fiquei sabendo que esta sozinha. Houve uma traição e uma separação. Fui uma testemunha do seu namoro, noivado e casamento. Sei que esta passando maus bocados. Dizer para você que isso passa, talvez seja o que todo mundo diz. Sim, isso passa, mas será que dizem que demora um bocado?  Parece que não tem fim a angústia do abandono. Não gostaria de estar no seu lugar. Aliás, nunca mais quero estar nesse lugar. Falar é fácil...
          Palavras não adiantam quando tudo o que desejamos é ter a pessoa amada do nosso lado. Gostaria de dizer só uma coisa: A lealdade baseia-se no amor. A lealdade vai além da fidelidade, ou da confiabilidade. Alguém pode ser fiel apenas, por senso de dever. Em contraste com isso, a lealdade baseia-se no AMOR. E o amor nunca falha. Fiel também pode ser usada para descrever coisas inanimadas. Por exemplo, a lua é conhecida como fiel testemunha no céu, devido à regularidade com que ela surge. Mas não podemos dizer que a lua é leal. Por que a lealdade é uma expressão de amor, uma qualidade que coisas inanimadas não podem demonstrar. Leia abaixo uma experiência pela qual passei anos atrás. É uma carta escrita a lápis quase desaparecendo:
          “Hoje faz uma semana que vivo sem você. Se ao menos a noite fosse feita de um segundo seria tão menos angustiante. Mas, não elas são enormes intermináveis. Passo a maior parte do tempo dizendo a mim mesma: “Isso acabará, isso acabará”. Ticiane acabou de ligar. Ligou para se despedir ou não sei mais o quê, pois não ouvia. Nossos amigos, nosso lar, nossas experiências... Minha compreensão me falta. Porque tudo é indizível. Será que noto as flores? Não! Será que noto o lindo vale de Monte Verde pela minha janela? Não! Passo a maior parte do tempo num redemoinho, como alguém durante um sonho. O tempo é uma questão penosa. Como viver esse tempo? Será que você pensa em mim como eu penso em você? A noite é mais difícil de suportar. O silêncio me apavora. Silêncio nos degraus da escada, silêncio nos quartos, silêncio no alto junto ao teto, silêncio no silêncio. Se você estivesse diante desse silêncio e dissesse: “Não se assuste, sou eu”. Tudo isso acabaria. Mas a realidade é um horror que paralisa meu coração. Passei a tarde toda de molho na banheira da sauna. Minhas costas doíam muito. Era como se uma espada estivesse cravada nela. Covardemente. Falta-me o ar. Digo a mim mesma: Nada aconteceu. As pessoas são livres para fazer suas escolhas, mas quanto mais penso nisso mais me inquieta a possibilidade de que essa escolha seja definitiva. Manhã passada apareceu por aqui um casal. Olharam a pousada. Na hora caia uma garoa fina e as nuvens passavam por nós. Conversavam entre si. Foi somente quando chegamos no fim do gramado que ela me disse que o local era muito triste que não conseguiria ficar ali um final de  semana. Eu quase lhes disse que eu também não. Que queria ir embora para casa, se tivesse uma. E no instante em que começaram a ir embora me vi ajoelhando diante deles erguendo as mãos suplicando: “Tirem-me daqui, levem-me daqui. Eu estou morrendo “afogada”.
          Noite passada ouvi barulho de carro. Corri até a janela. Só vi um clarão de faróis. Pela manhã marcas de pneus. Eram os seus? Depois daquele casal ninguém mais apareceu, exceto um cavalo ou outro. Tínhamos por hábito deixar o vídeo gravando a sessão coruja, e graças a esse hábito havíamos colecionado alguns clássicos como: O homem que matou o facínora, Anatomia de um crime, O veredicto... Liguei o vídeo para ver o que ficou gravado. Encontrei dois filmes. Um alemão e outro italiano com trilha sonora de Ennio Morricone. Música linda. Deixo tocando em repetição. Inundando o vale, as montanhas, a casa, meu coração... Chegará o tempo em que minhas forças estarão no fim... Não pode demorar muito... Não estou conseguindo resistir...  Sinto que caio num abismo...
          Literalmente eu cai naquele abismo e criei asas pelo caminho. Hoje sei que se não houve lealdade é porque não houve amor. Dizer que hoje estou imune a um abandono é muita pretensão da minha parte. Sou imperfeita. Nós apegamos a pessoa que amamos. Fomos criados com a necessidade tanto de demonstrar lealdade como de recebê-la. Uma coisa eu aprendi: Se não existir lealdade é porque não existe AMOR. E por que diabos irei sofrer? Existe um filme que gosto muito e que lavou minha alma nesse caso. Esta logo abaixo. Acesse e veja.

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