segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

BATATAIS




Para Paula Bevilaqua

Esteve em Batatais de repente
por algumas horas
passando por outras cidades
ouvindo coisas de quem relembrava coisas
Coisas que não eram suas
Teve que engolir tudo
sem entender
quem eram
o que fizeram
Quando se é convidada
sem muita ou nenhuma orientação
de qual será o seu papel
os momentos pouco importam
Porque a principal preocupação
era sobreviver


Existia uma história por trás de cada porta
de cada degrau
de cada foto
de cada ano 
passado ali


Não chegou a saber
E se agora tira do arquivo as fotografias
é por causa de Paula Bevilaqua, que 
pergunta de que lugar era aquela foto
postada junto com uma outra
Era tardinha, assim como hoje
calor de rachar



Foi naquele dia que
encontrou um email do filho
dizendo ao pai
que devia ir procurar outra pessoa
alguém mais jovem
mais dona do nariz, 
com uma situação financeira melhor
e não com uma pequena renda
Mais bonita
Cheia de enchimentos...
bombada
Pra quê? 
Sendo que o pai
há muito estava aposentado e
em questão de beleza deixava tanto a desejar...
Mas aquele email chegou como um tiro de bazuca
para machucar, para destruir
para aborrecer
para manda-la embora
E a tarde se fez assim com milhões de momentos que se intercalavam
como um clique automático de uma máquina fotográfica


Tentou se comportar normalmente
mas não adiantou
Não conseguiu se concentrar e entender
os fatos narrados
dentro e fora do prédio
seu sentido histórico
seu sentido sentimental

Bem, não adianta estar aqui
desenterrando coisas
Ainda não enterrou o seu desventurado 
e solitário par de botas
Ou a maneira de enrolar o cigarro
Foi naquela tarde
enquanto subia as escadas do internato
ouvia a sua voz chamando
Enquanto subia os degraus
olhando pela porta fechada 
as carteiras vazias da sala de aula



depois nas paredes dos corredores
as fotos
de ilustres homens
estudantes
Onde estavam
Vivos? 
Mortos?

Que mais
nada mais
Se me perdoa parecer um tanto romântica
Posso dizer que tudo aconteceu como se eu fosse uma árvore
a qual ao contrário das outras árvores
não deu fruto
e nem flores
mas ultrapassou todas as outras
em beleza e doçura

 MLailin Lailin







2 comentários:

Anônimo disse...

Maravilhoso, conteúdo em palavras e em fotos

marcia lailin disse...

Obrigada sr anônimo
mesmo não sabendo quem
gentileza gera gentileza
Bj