domingo, 2 de setembro de 2012

Nada de novo no front





Tem dias que...
Costumo estar em uma sensação de chatice...
Sensação de domingo na sala da pousada, 
rodeada de jornais...
Uma sensação que todos tem
Sei que tem
Porque todos estão em mim
É normal, é uma transferência, 
está na tarde que finda
esta no pássaro que agora canta 
está no cheiro da terra molhada depois da chuva
esta nas montanhas está em Monte Verde
Esta no calor
nessa vontade que agora sinto de tirar a roupa
e mergulhar mais uma vez
uma vez mais
na piscina da pousada Pedra Partida 



A minha vida naquelas montanhas
Esta toda registrada no caderno de capa preta
Em uma data
Em um papel datilografado
Em uma crônica de jornal colada com tenaz
Com o tempo em minhas mudanças
Fui me desfazendo deles
Agora estou envelhecendo
e vou a procura de alguma existência
começo a fuçar gavetas 
armários
só para lembrar com pesar que
joguei no lixo
houve um abandono
uma evasão
Justo agora
Agora que tenho tempo





O ano era 1992

naquela época tinha por interesse não a política

mas os cronistas

Alon Fenewerker, escrevia: "A Agonia do Presidente Collor, que gostava de repetir,
seus 35 milhões de votos
Por isso pedia; "Não me deixem só"

Josias de Souza:
"Quando iniciou na política Fernando preferiu o sobrenome do pai Arnon de Mello.
Com o tempo tomou gosto pelo Collor da mãe.
Na campanha de 1989,
Fernando saboreava a escolha
"Vamos collorir o Brasil"

Otto Lara Resende:
" O mais simples cidadão esta dividido.
Dilacerado.
Quer olhar a autoridade com um minimo de respeito.
Boa fé.
temor reverencial.
O mais crédulo do Brasileiro se pergunta
se dá para absorver tamanha dose de mentira..."

Clóvis Rossi:
"Desnecessário alongar-se sobre as causas.
A história recente do Brasil é uma sucessão de aberrações
tão formidável que só mesmo escritores especializados no realismo mágico (Cortazar, Garcia marques, etc)
deveriam estar autorizados a descreve-la" 

Carlos Heitor Cony: "... Se não é o fim do mundo é o penúltimo dia"

Gilberto Dimesntein:
"A direção da câmara
mostrava-se ontem disposta
a processar Luis Inácio Lula da Silva - exceto claro se voltar atrás em suas declarações.
Ele disse que há uns 300 deputados federais picaretas"

Herbert de Souza:
"Quem analisa os dados sociais do mundo capitalista
não pode deixar de concluir por seu fracasso histórico,
se a referência for o conjunto da humanidade desse planeta terra.
Por outro lado o socialismo também fracassou"

Luiz Caversan:
"... Como tudo de ruim que acontece neste país
a chacina da candelária já começa a se deslocar
para debaixo do tapete da memória.
A consciência nacional mais uma vez
absorve o drama
e a transforma em número,
rotina burocrática da investigação criminal.
Quem morreu mesmo?
Quantos era?
A vida segue em frente
e o fuzilamento de oito pequenos cidadãos
de quinta categoria em breve servirá apenas às estatísticas"


Tudo isso esta ainda tão perto


O rumo nunca mudou


Ainda continuamos a deriva



As misérias se repetem

mundialmente


em doses cavalares

animalescas


Procuramos uma saída


dos violentos redemoinhos



para somente descobrirmos que nunca

encontraremos a paz desejada

Mlailin



3 comentários:

sueli aduan disse...

Amei a foto (vc fotografando), as outras tb belas!. Belíssimo texto.
Nunca encontraremos a paz ou:-

"Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"

marcia lailin disse...

Lindo isso irmãzinha
linda você
bjs

Carmen Regina Dias disse...

Estou encantada. Vou conseguir alguns minutos todo dia para ler vocë, poeta.

gratidáo