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quarta-feira, 9 de março de 2016

Agora vocês são amigos no facebook



Os meus fantasmas tornaram minha solidão em vício
Raul Seixas 





Agora vocês são amigos no facebook...

Foi essa a mensagem que o facebook mandou quando nos tornamos amigos....

Questão de meses atrás o facebook disse: “ não há mais conversas a exibir” é uma mentira, uma grande mentira. Sim, houve mais conversas a exibir, as mesmas que salvei para colocar junto com as outras, foram as últimas por mais um mês, um mês e meio, não sei bem ao certo, porque comecei a deixar de contar os dias e a não dar mais importância ou a ficar seguindo os passos, bisbilhotando quando e como foi o momento do estrangulamento, sei que foi no meio desse tempo... quando deixei que ele corresse, esperando uma resposta... E depois de algumas semanas de retiro espontâneo de minha parte retornei e....

Na noite em que te bloqueei, primeiro eu fui até sua página e eliminei todos os meus comentários e curtições de suas fotos. Depois fui até a caixa de mensagens e salvei as últimas mensagens, principalmente aquele do último mês do último ano quando você escreveu a desculpa mais esfarrapada que uma mulher pode ouvir em sua vida. Me surpreendi com ela, por ter sido de uma infantilidade vinda de um homem que eu imaginava ser tão grande...

Enviando tudo para meu email desliguei a máquina e fui fazer um chá de camomila com hortelã como estou acostumada a fazer todas as noites antes de dormir. Coloquei na xícara e levei próximo a janela para esfriar... enquanto o vapor quente subia, fiquei olhando para a noite escura daquela quarta-feira e pareceu-me ver rostos, pessoas andando, fiquei com o olhar meio morto, com a menina do meu olho meio lenta, um tanto apagada no meio de vultos perdidos em um mundo estranho...

As lágrimas apareceram, chegaram... não eram do nada, mas eu as engoli com a retina dos meus olhos. Me recusava a esse ato, iria bloquear e deixar somente aquela inércia, aquele desgosto e aquela dor fina e lancinante parecida aquela que sinto nos meus dias de menstruação, com a diferença que essa é no coração.

Quando amanheceu acordei um tanto abobada, como se na noite anterior tivesse tomado um diazepan inteirinho, coisa que não fiz, porque não tinha. Tomei o banho da manhã, e enfiei a primeira roupa que encontrei e na caixa de brincos não fiquei na dúvida deste por aquele como acontecia nos dias anteriores...

E então sai, com a perna pesada em um dia nublado, chuvoso e sem sentido. Ainda bem que não era um dia luminoso, pois não saberia o que fazer com ele. Tudo contribuía para o meu pesar, até mesmo a voz metálica daquela mulher desconhecida do trem a falar “cuidado com o vão entre o trem e a plataforma”... Uma mulher no celular perguntava para alguém que parecia ser a filha se ela havia tomado café, e mais isso e mais aquilo.... Ouvia e uma vez ou outra olhava para o rosto de cada um sem vontade de escrever ou pensar nada sobre eles. No fundo no fundo eles me ajudavam quebrando a angústia que existia dentro de mim...

Dias depois, que foi hoje, voltei para aquele lugar restrito conhecido como mensagens e encontrei no final de todas a nota do facebook: “Você não pode responder a essa conversa”
lailin






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