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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Carapicuíba é do Senhor Jesus

Encontrei o Senhor Jesus....




Foi só seguir a placa...





Confesso que vivi - Câmara de Carapicuíba 1998

12.11.1998 – São quase 17hs e ainda não começou... Finalmente começam a chegar alguns gatos pingados. Vereador Wilson Marcelino começa a fazer a leitura das indicações e dos projetos em tom sonolento com a mão no queixo, quase dormindo em total pouco caso. Falação na plateia tento ouvir... Wilson Marcelino vai dando continuidade. Ao que mesmo? Entidade social Hospital Sanatorinhos. São questionamentos sobre o funcionamento do hospital para a população de Carapicuíba.  Mudando a conversa agora com tom exaltado e esbravejando quase gritando diz: “Esse é um prefeito sem compromisso com o povo. Depois do meio dia ele dorme”. Que diferença faz para plateia, o povo, se ele dorme ou fica acordado depois do meio dia? Marcelino continua bufando: “Enganou o povo com pacote de fubá. Teve 70.000 votos. Prefeito amaldiçoado pelo povo e sendo assim não serve nem para gari”. A plateia em ebulição só falta invadir o plenário e carregar Marcelino no colo.

Quem não se lembra do prefeito Jorge do poeirinha antes das eleições com sua comitiva visitando os bairros da cidade e suas famosas distribuições de sestas básicas? O povo tem fome, não tem? A estratégia deu resultado. O homem tá lá sentado na cadeira. As sestas básicas sumiram e o povo, como de costume, continua com fome.

E eis que depois de ladainhas e mais ladainha surge um projeto muito importante para a população: a mudança do nome de uma Rua da COHAB, de Afogados passará a ser chamada de Porto seguro. Alguém grita: “Num tem nada a vê mano, afogados combina mais com o ambiente”. Lembrei das palavras do juiz Oliver Holmes quando da aprovação das leis pioneiras de esterilização, no estado da Califórnia: “Três gerações de imbecis bastam!”
O que eu faço aqui? Pergunto-me com tanta coisa mais interessante lá fora. Represento o professor Miguel Costa Junior. Sou paga para isso. Para anotar, fotografar receber e dar recados. Sento sempre perto da porta de entrada e saída. Só existe essa porta. Caso ocorra um incêndio estamos todos mortos. Trago em uma mão meu caderno de anotações e na outra um copo de café e assim em estado de alerta começo a observar como funciona o legislativo. Não tem nada parecido com aquilo que estudamos nos livros escolares, cheios de respeito e seriedade. O nosso legislativo é uma lavação de roupa suja na casa da mãe Joana. Eles se agridem tanto físico como verbalmente, sem nenhum pingo de compromisso com a verdade. Às vezes acho que já vi tudo em matéria de esculhambação. Mas esse país insiste em me surpreender nesse capítulo. E depois riem, riem sentados em suas cadeiras como umas hienas.

Os vereadores retardatários começam a chegar. E eis que entra um algemado acompanhado de dois policiais. Seu nome: Donaldo Cosme Costa Araújo, condenado a oito anos de prisão por tráfico de drogas. Esta sentado no plenário com as mão baixas, tentando esconder as algemas. Imaginou? O cidadão cara a cara com essa pouca vergonha. Descobrindo que não há beco sem saída para político. E eu preciso escrever sobre isso? Razão tinha o estadista e escritor inglês Benjamin Disraeli, quando disse: “Quando os homens nascem puros, as leis são desnecessárias; quando são corruptos, as leis são inúteis”. Sou acordada de minhas divagações pela voz do presidente que acusa ex-funcionário pelo desvio de material de gravação. Depois ouço as apresentações. Paulo Nani: Comissão de Orçamentos e finanças. Wilson Marcelino: Justiça e redação. Everaldo: Educação e Saúde e Donaldo: Comissão de Obras e Serviços Públicos. Melhor nem pensar.

Agora estão todos muito confusos, dando volta em círculos, não dando andamento aos problemas da comunidade e as possíveis soluções. Ao contrário brincam com as explicações em situações típicas de colegiais em sala de aula com direito a cenas de pastelão, isso quando não encenam brigas que acabam caindo no ridículo por falta de ensaios. O certo é que eu não tinha nada que fazer aqui. Podia ter ficado quieta no meu canto, mas decidi experimentar. De uns tempos para cá estava me sentindo inútil, sem nada concreto, uma espécie de fantasma que flutua por ai sem se apegar em nada, servindo apenas para espantar ou irritar os outros, a mim mesma em primeiro lugar. Dai que aceitei o convite do professor Miguel para, primeiramente ler para ele, já que esta perdendo a visão, depois participar de alguns servicinhos sujos como este, ao preço de algumas bananas.

Márcia Lailin

 De 1998 para cá nada mudou exceto as moscas



Esse povo... Pobre povo... Ah, se soubesse o que eu sei...

2 comentários:

Nuvembranca disse...

É lamentável!!!!!!!!

CARLOS T. disse...

"Começando que o estado é laico, não tem sentido colocar que a cidade é de Jesus ou do capeta...pelo que vemos está sendo comandada por adeptos de Barrabás.