sábado, 20 de outubro de 2012

Poesia erótica




“Beije-me ele com os beijos da sua boca, 

porque as tuas expressões de afeto

são melhores do que o vinho.” 



(Cântico de Salomão 1:2) 







“Sou uma muralha, 
e meus peitos são como torres. 
Neste caso me tornei aos seus olhos como aquela que acha paz.” — 8:10.





Exterior

Por que a poesia tem que se confinar?
às paredes de dentro da vulva do poema?
Por que proibir à poesia
estourar os limites do grelo

da greta

da gruta

e se espraiar além da grade

do sol nascido quadrado?

Por que a poesia tem que se sustentar
de pé, cartesiana milícia enfileirada,
obediente filha da pauta?
Por que a poesia não pode ficar de quatro
e se agachar e se esgueirar
para gozar
– carpe diem! –
fora da zona da página?

Por que a poesia de rabo preso
sem poder se operar
e, operada,
polimórfica e perversa,
não pode travestir-se
com os clitóris e balangandãs da lira?

Waly Salomão







A bunda que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai

pela frente do corpo. A bunda basta-se.

Existe algo mais? Talvez os seios.

Ora – murmura a bunda – esses garotos

ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
rebunda.

Carlos Drummond de Andrade ♥






Dama



uma dama

em chama
me chama
pra cama


Tchello ♥










Amemos


amemos

a menos
que o amor
de vênus
seja menos
com camisa
de vênus


Tchello



♥♥♥
 










Monumento

monumento
tu
nua
num 


momento
sem
nem
um
movimento

Tchello










Nuvens

nua vens
eu nas
nuvens



Tchello ♥




♥♥











Moralidade

Menina, sê ardente,
Mas prudente,
Se sentires calores
Sedutores

Embaixo do teu ventre,
Que não entre
Tua flor de donzela
Uma vela,
Pois logo o castiçal
– Por teu mal –
Lhe iria atrás, matreiro,
Quase inteiro.
Em templo tão estreito,
Vá com jeito
Teu dedo em sua gana,
E a membrana
Só rompa, do hímen teu,
O himeneu.



Theophile Gautier ♥














Elizabeth,



Conheci toda a sua vida

Conhecia seu horário, seus hábitos
distinguia seus passos no chão estrelado
Sua existência era de tal maneira linda

E eu a comtemplava fascinada
porque não tinha nada no rosto
nem uma marca, nem uma mancha
sinal ou cicatriz

Somente você sabia
onde eram os ataques mais sérios
e as mordidas mais profundas

lailin

♥♥♥












































Marlene ♥



♥ 100 palavras

♥ se não acredita em magnetismo depois disso...






                                                         Mlailin



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