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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Noite densa, noite de trevas



Noite densa, noite de trevas.
Carla Regina Souza naquela noite havia dito a sua mãe que deixasse sua janta dentro do micro-ondas,  jantaria mais tarde  quando chegasse, estava atrasada. Era quarta-feira dia de ir à igreja. Deu um beijo na mãe e saiu rapidamente antes que se atrasasse mais ainda. Anoite estava agradável, noite quente de verão.As pessoas voltavam para casa e algumas caminhavam com pressatendo nas mãos sacolas de compra de supermercado. Carla estava feliz, tinha participado no concurso para mudança de cargo na empresa e tinha certeza de que sairia vencedora. Sorrindo a jovem disse, de si para si, como estou feliz!Lembrou-se que durante quase um ano tinha se submetido a longos finais de semana trabalhados e agora iria colher os frutos. Ali sentada no ponto do ônibus com as mãos no colo, tinha no rosto delicado e jovem, de lindos olhos azuis a expressão grave e ingênua de uma criança. Sentiu alívio quando ao fim de vinte minutos, viu aproximando-se do cruzamento o seu ônibus. Levantou-se para dar o sinal e seu corpo esguio foi desaparecendo, tornando-se confuso, se misturando as sombras da noite.
Onze horas. Dona Neusa Tinha a garganta seca. A quietude da casa e da rua aumentava deixando-a em pânico. Carla, Carla, Carla... Levantou-se e começou a passear pela casa. Estava imaginando coisas terríveis. Pôs-se então a examinar com ansiedade os carros que passavam. A meia noite disse a si própria que iria fazer o mesmo trajeto. Chamou uma vizinha e as duas caminharamalguns quarteirões por ruas desertas. Fingia que estava tudo normal. Mas, enquanto caminhava, sentia um frio apoderar-se do coração. Confusa, procurava a filha em meio à escuridão. Deveria continuar ou esperar por ela em sua casa? Eram meia noite e meia quando fez um sinal para um taxi. Com toda certeza Carla estava em casa, já deitada no seu agradável quarto. E devia estar preocupada, por causa dela. Onde mais poderia ela encontrar-se? Um quadro mental ao mesmo tempo vívido e terrível atravessou-lhe a mente – um atropelamento, um sequestro, um quarto de hospital, Carla inconsciente, numa cama. Não ia permitir esses pensamentos... Em casa, encontrou a casa vazia. E, então, o frio que sentia no coração tomou conta de todo o seu corpo. Uma hora, uma hora e vinte. Sentiu qualquer coisa na garganta; tampou o rosto com as mãos e deixou as lágrimas escaparem. Quando faltavam dez minutos para as duas, chamou novamente um taxi, e indicou-lhe o caminho para o posto policial.
Cont...
mlailin


Um comentário:

Mlailin disse...

Acho que ontem o sequestrador veio aqui e levou essa história. Mas coloquei aqui novamente