sábado, 26 de fevereiro de 2011

Ana Clara




Foi ontem quinta-feira dia 24.02.2011, o relógio marcava 15:00hs, e o céu estava escuro e algumas gotas de chuva começaram a cair. Ana Clara Linggai de 6 anos e seu irmão, conhecido pelo apelido de chininha saíram de sua casa na Av Cacilda, com destino a rua Ipê para a aula de balé que iria começar logo mais. Estavam próximo ao numero 118 na mesma Av. quando uma forte chuva caiu e os dois correram e ficaram debaixo do beiral da casa 118, cuja propriedade é alugada para um ex-vereador de nome Fred Magrão, quem conhece sabe a fama. A menina nem bem encostou, quando um dos cachorros da raça avançou pela grade de ferro do portão e mordeuo cotovelo da garota. Eu estava em casa, me preparando para sair, quando ouvi os gritos da menina e corri para ver o que era. Tentei acalma-la enquanto o irmão telefonava para a mãe. Quando a mãe chegou fomos até a casa do dono dos cães.Como são dois cãesnão sabemos qual dos dois mordeu a menina.  O dono estava no bar em frente a sua casa no seu banco preferido. Quando começamos a pedir o comprovante de vacinação do cão ele disse que agora não tinha tempo, tinha outra coisa pra fazer que ligássemos para a vigilância sanitária ou pra quem quiséssemos. Tentei tomar a dianteira da conversa, já que a mãe apesar de estar há mais de 15 anos no Brasil, não domina a nossa língua. O dono do cão falando alto e com um imenso pouco caso dizia que não queria falar comigo, claro que não, já que eu era a única que conseguia entender o que ele queria fazer: Tirar o corpo fora. E que a menina devia ter posto a mão para brincar com o cachorro e por isso ele mordeu. Se ela tivesse posto a mão ele teria mordido a mão e não o cotovelo. Enquanto ele ficava no telefone fingindo que ligava pra vigilância, a mãe desmaiava. Diante de várias pessoas da rua, a maioria homens, que não fizeram nada para ajudar a garota mas, ficaram em silêncio, sequer se pronunciaram em defesa da mãe, da filha e da vizinha. Quando eu disse a ele que a vida de uma criança era mais importante que qualquer outra coisa que ele tivesse a fazer e que a menina deveria ser socorrida, e que a cabeça dele devia ser oca, já que ele não conseguia sentir a gravidade do fato, foi ai então que ele trocou o oca para vagabundo e começou a gritar que eu chamei ele de vagabundo que eu era uma galinha e que iria abrir um processo contra mim. Como o único telefone que conheço de emergência é 190, liguei, e estamos esperando até hoje sexta-feira. Para quem não sabe Wu Linggai é a chinesa que trabalha vendendo óculos e bonés em frente do açougue Boi Zé. Tem três filhos lindos, trabalha de segunda a segunda para dar o melhor uma vida digna para essas crianças num país que ela escolheu para ser seu. Uma chinesa dona de uma loja no calçadão saiu do seu trabalho, pois nenhum morador da rua se prontificou para fazer isso, e veio socorrer a garota e a
levou ate o P.S. onde a menina foi medicada. O comprovante de vacinação não foi apresentado e pelo que parece sequer existe. E agora? Você que agora lê esse desabafo, se fosse a sua filha o que você faria? Você pode fazer isso por Ana Clara?


Mlailin

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