quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Augustina Bessa Luis



Ideias, metáforas, no museu com Augustina Bessa

Nao vou dizer que foi uma decepção porque concordo com as palavras do mestre: 
A estrada larga conduz a destruição e muitos seguem por ela
Ou o nosso Nelson: A unanimidade é burra.
O que esperar de um país onde dá para contar nos dedos das mãos os eventos culturais , parques, museus, exposições e etc...


Lojas e quinquilharias e coisas imprestaveis são trilhões e trilhões de quarteirões e quadras
Estava como eu gosto. Uma minúscula exposição, como a área de serviço de uma casa, com não mais que meia dúzia de roupas ou no caso, algumas fotos penduradas. Fiquei um tempo maior ali, era esse meu objetivo. Foi quando do nada apareceu um rapaz e pediu que eu tirasse sua foto. Perguntei a ele se era português. Estava curiosa. Vai diz ai que é. Quem se não um português iria ate o terceiro andar do museu? Ele disse que não
- Ah, já sei! (Toda feliz) Você é amigo do Antonio
- Quem?
- O Antonio, portugues do Porto, mora depois do oceano. Mas tem também uma morada fixa na rede virtual da vila facebook
Ele riu e repondeu que não que nunca tinha ouvido falar de tal pessoa. Desconfiada, tirei duas fotos dele e devolvi a máquina e nem me importei de mostrar a ele meu talento com fotografias, porque acho que se a pessoa questionada não consegue dar uma demonstração de conhecimento sobre o tema e os debates em torno dele, então que se vire com suas fantasias.
Comecei a descer a escada pensando naquela multidão que se aglomerava no primeiro andar, e eu sabia muito bem qual era o objetivo do governo ptralhada com essa exposição, e eu não iria perder meu tempo e nem minha beleza com algo que parecia uma cerimonia religiosa de fanáticos e alienados se curvando ao seu objeto inútil de adoração.
Estava já no segundo degrau quando ela me chamou e disse



- Cuidado com eles?
- Eles quem?
- Os portugueses
- E por que haveria eu de ter cuidado com eles? Foram embora há séculos, dizem as más línguas que levaram nosso ouro e nossas índias. Conheci um, seu Manoel, ele tinha uma padaria na esquina da minha rua, de nome Clarinha, morreu e os filhos venderam o predio....
Estava ainda falando alguma coisa quando ela me cortou...
- Tenha cuidado, o português mente sempre!


Nao sei se foi o som da gargalhada da Augustina ou o som da minha que se ouvia por todo o terceiro andar ate a saída do Museu da Língua Portuguesa.
Lai e Augustina Bessa em uma tarde no museu



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