quarta-feira, 7 de setembro de 2011

"A FALTA QUE ELA ME FAZ' (Jezinha)





Não encontro a única foto de nós duas
Tirada no SESC Paulista, décimo quinto andar
Uma tarde e um lindo céu azul...
Sentamos no muro próximo as flores e conversamos sobre cores
Você me ensinava o que usar com o meu tom de pele
Depois contou sobre sua vida
Sua infância e adolescência em Joinville
Foi o inicio de nossa amizade
Depois toda semana marcávamos um encontro na Brigadeiro esquina com Manoel da Nóbrega
Observava de longe você atravessando a rua vinda da Alfredo Lellis
Tão bonita
Quando meu pai morreu você me levou para sua casa me deu seu quarto de hóspede e fez do seu lindo apartamento a minha casa
Eu nunca te falei sobre aquele mês
Mês de agosto
Mês do meu desgosto
Você me abraçou, mas eu não chorei
Não chorei porque não vi meu pai dentro de um caixão rodeado de flores amarelas
Naquele mesmo ano em dezembro foi a vez de você perder o seu pai
Arrumou rapidamente as malas e foi para o sul
Não foi possível te abraçar e nem chorar com você
Meses depois voltou
Voltou diferente
Não era mais a Jezinha feliz de outrora
Algo nos afastou
Dois anos depois fiquei doente quatro meses distante
Quando voltei você estava grávida
Observava você de longe, sempre rodeada de amigos
Passavam  a mão em sua barriga
Levavam presentes
O último domingo que te vi, disse:
“Se precisar de mim me chama”
Não sei quanto tempo foi isso
Tres ou quatro domingos atrás
Agora, fiquei sabendo que perdeu o bebê, uma menina, e novamente viajou para o sul
Deixo meus dedos abrirem um livro, folheio algumas páginas, enquanto lembro da noite em que perdi meu bebê também
Quando foi?
Ontem? Não! Quase agora
Uma linda vida, uma menininha que escapuliu e desapareceu
Recordo  meu rosto virado para a parede
As lágrimas e os soluços e a voz de uma enfermeira dizendo: “Chora não”
Não foi há décadas
Foi quase agora quando eu olhava para esse teto
Pensando em você e ouvindo o som do meu coração
Nenhum outro som, a não ser talvez
Próximo à linha do trem, o barulho de rodas sobre um trilho
E um longo apito como um grito de tristeza
Cortando o ar da noite

(Márcia lailin – P/Jeruza)




2 comentários:

Gilda disse...

Menina,que coisa linda. Que amizade é esta??? Isso não pode acontecer, procura por ela. Muito linda essa história.Não sei porque, mas me identifiquei muito com vc. Eu lembrando de ti, fui até seu perfil pra saber como está. Não se perca de mim. bjs

Marcia Lailin disse...

beijos irei te procurar pra não esquecer e escrever