quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Mario de Andrade, Manoel Feio e Antonio João




Vem comigo

É você mesmo, você que passa a sua vida entre um oceano e outro
E acha que isso é tudo!?
Vem, 
Vem conhecer seus irmãos, seus vizinhos
Conhece os ferros que seguram o teto da estação luz? 
Ja sentou no degrau proximo a uma daquelas portas maciças 
De pau brasil? 
Construidas no inicio do século passado?
Nao? 
Que feiurada
Vem comigo então
Vou leva-los
de bandeja até Manoel Feio


Será que a liberdade é uma bobagem?...

Será que o direito é uma bobagem?...

A vida humana é alguma coisa a mais que ciências,

artes e profissoes.

E é nessa vida que a liberdade tem um sentido,

e o direito dos homens.

A liberdade não é um prêmio,

é uma sançao.

Que há de vir .


Mário de Andrade


Os alicerces não devem cair mais!

Nada de subidas ou de verticais!

Amamos as chatezas horizontais!


Abatemos perobas de ramos desiguais!

Odiamos as matinadas arlequinais!

Para que cravos? Para que cruzes?

Universalizai-vos no senso comum!

Senti sentimentos de vossos pais e avós!

Para as almas sempre torresmos cerebrais!

Mario de Andrade




Manuel Feio


Estranho nome para uma cidade


Quem nasce em Manuel Feio

É o que? Manuel feiense? Uma pergunta que fiz para 

meus botões enquanto subia as escadas

Para logo mais descer ate a outra plataforma

Tem sido assim esses dias,

Me dedico a elas,

as estações que um dia passei e ficaram gravados em 

minha mente

Manoel Feio, foi uma.

Por causa do nome? 

Sim

E também, porque na época em que conheci 

Manoel Feio 


Eu tinha acabado de chegar da Itália

E esse trajeto, da luz até o Brás e depois até Manoel

me lembrou tanto o mesmo

 caminho que fiz de trem da Toscana a Roma 

De vez em quando faço isso, 

volto ao mesmo lugar para 

sentir o cheiro 

Como um cachorro farejando o osso

Vem me uma vontade de guardar 

esse momento contra o peito 

como um abraço apertado


Por que, não sei







Devo confessar preliminarmente, 

que eu não sei o que é 

belo e nem sei o que é arte.


Mário de Andrade






Brasil amado não porque seja minha pátria,

Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso 

onde Deus der...

Brasil que eu amo porque é o ritmo 

do meu braço aventuroso,

O gosto dos meus descansos,

O balanço das minhas cantigas amores 

e danças.

Brasil que eu sou porque é a minha 

expressão muito engraçada,

Porque é o meu sentimento pachorrento,

Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, 

de comer e de dormir.


Mario de Andrade





Porque me deu agora de repente 
uma vontade danada de abraçar você, 
mas de corpo presente e ficar junto, 
sem assunto, deixando a vida passar...
Mario de Andrade






Antonio João

Antonio João é uma estação do século passado

Não faço a minima ideia de quem foi Antonio João, 

e muito menos 

filho de quem. 

Embora me pareça ser um português....

O tempo passa e Antonio João permanece do jeitinho 

que sempre foi, timido, conservador, silencioso

não fosse seu nome na placa, ninguém nunca 

perguntaria

que estação é essa?


Passaria em branco

Estreita, rodeada de matos em seus trilhos

e aqueles dormentes

ao longo do trilho...


Vontade que tive de descer e caminhar por eles

como fazia quando criança, atrás de umas frutinhas 


verdes conhecida como saco de homem

Logo apos a catraca se vê 

enormes prédios suntuosos e 

a estrada que dá acesso a Alphaville

Antonio João parece ser de ninguém

Antonio João faz parte da linha esmeralda,

poucas pessoas descem ali

em sua maioria jovens ao meio dia

de camiseta branca

escrito Senai ou Fieb, 





entram e saem dos vagões

Não fosse eles a estação continuaria em seu silêncio

Um silêncio estranho que eu 


so consigo sentir no cemitério

Lai



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