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domingo, 19 de janeiro de 2014

A menina que mora em mim


Podemos atravessar a linha do trem
aproveitar que nossa mãe não esta
e
sem hora para voltar
escorregar nas dunas de areia
ficar morgando
na areia
minutos eternos olhando
o céu e as nuvens patos
gansos e sapos
Podemos descer até a lagoa
ou então vamos com os meninos jogar
mais uma partida de um jogo
que recusamos a lembrar o nome
Vamos?
Iremos ficar no morro
rindo
15hs e ponto
a porta se abrindo
o cheiro de mofo
Dona Julieta chamando Juninho, Isabel, Viviane 
e o café com leite e pão
Eu a levarei para a grama
debaixo das três arvores
de folhas
verde bandeira, verde oliva e verde limão
Sinta o cheiro
pegue a cor
Retorne para a meninice
Volte, estranha mulher,
a ser a menina de pernas de seriema
não precisa mais correr
agora 
pode voar

Lai Lin







Oração

Foi hoje a tarde dia 19 de janeiro
com um livro de crônicas escolhidas 
de Rubem Braga entre os braços
não estava triste
estava amortecida
um amortecimento de vida
tão banal
tão comum
Foi ali deitada na grama 
na frente do hipermercado extra
ali
acima de mim e ti
as folhas das árvores
verde bandeira, verde oliva e verde limão
Foi ali que te pedi
Escuta...
Não sei mais o que fazer com a criança que mora em mim
chega um dia
chega um tempo
uma hora
que temos que nos desfazer da vestimenta
ultrapassada
rococó
e é tão triste
uma tristeza que só você conhece
não que você envelheça
como eu e os demais
você entende
nos compreende
na empatia
Não te peço coragem
pois não a quero
Te peço indiferença
Me dê indiferença
montes dela
E depois
leve, 
retire de dentro de mim
a menina
que pedi
para viver em mim

Lai Lin
                 
 

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