A ÚLTIMA VEZ COM MEU PAI
Foi no mês de agosto. Domingo, dia dos pais. Mês do meu nascimento. Vou retornando e meus passos ressoam pelas escadas da estação do trem com destino a Santo Amaro. Irmã Luísa (irmã dela) e a usurpadora me esperavam As duas com suas fisionomias estranhas e vestimentas que iam até o chão conversavam alguma coisa Eu no outro banco, ora olhava para elas, tentando a todo custo manter um ar amigável, ora olhava pela janela para o céu azul cheio de nuvens brancas, como agora de manhã Ora abaixava a cabeça e dizia: “Meu Deus me livra desse horror” Ia para o hospital Vida, visitar um homem que morria Por que tinha que ser eu? Porque somente eu poderia fazer desse momento uma dádiva Não podia falar sequer pensar o que achava dessa aventureira Dois anos já se passaram em que eu estive em seu quarto deitada ao seu lado Pela última vez, sentindo sua respiração enfraquecendo passo a passo, seu corpo apodrecendo Não sei se dormi, não sei se chorei Lembro que nos meus olhos havia uma enorme clarid...