Diario de bordo - Logbook



"Nao tenho qualquer disponibilidade para o mundo, percorro lugares insuspeitos dentro de mim, estou cada vez mais só e ja não me lamento, a vida deixou de me embriagar, paciência, nenhum  fascínio pela morte, escrever talvez seja o espaço habitual entre a vida e a morte, ai me mantenho, ai me vou consumindo e sobrevivendo nessa especie de limbo" - Al Berto, in diário (poeta português)
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"I have no availability whatsoever for the world; I traverse unsuspected places within myself. I am increasingly alone, and I no longer lament it; life has ceased to intoxicate me—such is life. I feel no fascination with death; writing, perhaps, is the habitual space between life and death. There I remain; there I slowly consume myself and survive, in this kind of limbo." — Al Berto, from his diary (Portuguese poet)


Ainda bem que não conheci esse poeta português em minha juventude se não seria mais um a atormentar a minha fase de amadurecimento. Ainda bem que depois da enxurrada não escrevi e nao falei nada que fosse capaz de destruir outros com pensamentos mórbidos. Ficaram comigo, somente comigo, claro que outros foram influenciados com minha presença, mas nem tudo é perfeito ou será nada é perfeito? Sim nada é perfeito, assim temos que usar a inteligência para não cair no abismo que é viver. O que não e fácil, não e mesmo. 

Contaram-me que as letras descansam de lado, nas páginas macias dos livros antigos. Outros, afirmam que os textos mudam ao sabor das edições; nenhuma se compara à leitura inicial.

Há ainda quem me confidencie que recebe os livros de braços abertos, às vezes até com as pernas, e dou por mim a olhar para as lombadas que me rodeiam; a senti-las latejar como um animal magnifico, alheio a interpretações domesticas.

Se estender a mão, sei que o irei acordar; prefiro entreter-me a escrever este texto, onde as letras ainda são verticais e se estampam no papel, como uma mancha de tinta, uma ave suicida, um eco sem som.

(Jorge Fallorca - poeta português)


Os poetas portugueses surgiram em minha vida depois que passei do cabo da boa esperança, atingi esse cabo depois dos quarenta anos. Que grande tormento foi viver ao lado de Camus, Sartre, Dostoiewski, Goette, Kafka... é melhor parar por ai, pois quero guardar alguma coisa de produtiva desses e de outros. O problema que vi com esses escritores citados foi que eles trouxeram muitas crises existencialistas aos seus leitores, o que nao foi muito agradável, era como engolir o próprio vomito amargo. Foi com os portugueses que eu aprendi a rir daquilo que nao podemos mudar e nas melhores das hipóteses falar um palavrão ou responder com a máxima portuguesa: É a vida! Quando ouvia eles dizendo isso tinha vontade de responder: Essa vida amordaçada? A minha vida ao lado deles me fez entender que sim, que era uma vida de prisioneira do sistema que eu tinha que suportar e tirar o melhor que ela tinha a oferecer. Como se fosse possível. Sim, era possível. Foi possível. E agora  preciso contar a historia, embora na terceira pessoa,  de alguma forma em que se possa montar o cubo magico. Foi se o tempo em que eu  ficava triste ao ouvir Gnossienne 1, hoje musica triste foi feita para escutar, relaxar, dormir agradecer por mais um dia, e filmes depressivos servem para analisar o ator se é bonito ou feio, se representa bem e se todo cenário em volta combina com o semblante do ator e o fundo musical. Fora isso nada mais, acabou-se o drama passado. 



Somente nuvens aqui em cima Nuvens e uma enorme asa de avião. Motores gigantes barulhentos. Estava tão terrível por lá.  Em casa. A vida que estava levando. O calor infernal, e o proibido ter um ventilador. Sua solidão sem ter com quem conversar. Embora existisse um espectro sentado no sofá. O homem que há três anos compartilhava a mesma casa não significava nada em sua vida. Foi no dia 4 de agosto retrasado que caiu a ficha do fracasso que era aquela relação, então ela pediu o divorcio, depois de jogar tudo no chão e pedir que ele saísse. Ele a xingou de alguns nomes, principalmente de pobre, enquanto ficava inalterado sentado onde estava, ainda ouviu ele dizer que esperava o termino dos cinco anos quando teria sua cidadania. Três anos haviam se passado e a única coisa que interessava era isso. Em um pais de índio, conforme ele dizia, cheio de gente mal educadas, em sua maioria negrinhos. Onde ele em sua esquizofrenia era o deus. Nenhum ato de solidariedade, nenhuma consideração, nenhum beijo, nenhum carinho. Em um lugar que não era o dele. Passavam a semana, os meses e os anos em total silencio. Não iria esperar cinco anos. Ele nao iria conseguir nada nos cinco anos, porque a jogada fracassou, pois só havia interesse do lado dele, interesses obscuros. E assim ela começou a criar asas...


Que bom que foi minha iniciativa, minha paixão pela vida e ter tirado fotos de tudo e de todos, embora as mais antigas o lord teve a audácia de entrar em meu computador sem ser convidado e ter tomado conta dele e eliminado centenas delas, porque não interessava a ele. Hoje posso encontrar minhas pegadas em fotos as mais desprezadas por muitos ate as mais admiradas. Posso dizer e provar, passei por lá, sem ter que procurar fotos de outros no google. 


Todos os dias vemos coisas como se fosse a primeira vez. E todas elas de uma beleza e historia sem precedentes. Não somente nas coisas inanimadas como aquelas que tem vida. Um conselho? Renove seu EU diariamente. De que forma podemos fazer isso? Vendo o que de tão visto ninguém mais vê. 
Cuidando daquilo que esta a nossa volta, cuidando da natureza que ainda nos resta, dos animais das crianças
Eu vou pensar no que você esta me falando. Vou gravar em minha mente o que você esta falando. Eu só não quero ter que presenciar uma planta morrendo, com todo mundo passando por ela como se não tivesse vida. É só isso. E ver pessoas passando umas pelas outras, também como se não tivessem vidas - e que olham para o nada para não dizer "bom dia". Antes eu sentia dor no peito do lado direito indo para o esquerdo e vice e versa, agora sinto um bolo no estômago, um amargor, um vomito, um refluxo. É como se o ataque tivesse mudado de posição e escolheu outro lugar já que o antigo estava acostumado e sabia como expulsa-lo. Agora ele se instalou no estômago como náusea, em vomito. Não a mesma náusea de Sartre, a existencialista, essa perdeu o sentido, mas uma outra pior ou tão pior: A náusea humanista. Não sei qual das duas é pior!


Sabe esse lugar onde você pensa que encontrara pessoas que se ajudam em bondade e compreensão? Não existe. Talvez entre os Amish, Menonitas, Anabatistas. O que duvido.
Isso porque existe uma contaminação, de tão acostumados com a crueldade em conjunto, de culturas e costumes quem se atreveria a entrar em um mundo onde os fins nao justificam os meios e se acostumaria a ter regras em comuns?  Sem viver o tormento nosso de cada dia, as intrigas, a corrida de cão, as redes sociais e tudo o mais que nos leva aos caos? Quem com a consciência cauterizada se atreveria a viver ou a construir um mundo justo. Tentativas...


De repente você acorda pensando hoje e quinta feira, e se hoje e quinta eu tenho ou nao tenho aula? Então vem a duvida, e a duvida nao e mais ser ou nao ser, e sim o que foi que eu fiz ontem e o que farei hoje, o mesmo de ontem? A sensação existente e de que os dias são uma sucessão de outros dias, uma repetição, e de repente a duvida. Devo ou nao devo repetir o que fiz ontem? Embora eu nao tenha certeza da certeza que eu tinha ontem. Ontem eu fui para a escola e hoje devo ir de novo? Esta marcado na agenda? Sim! Antes existia a certeza do que fazer naquele dia, hoje a incerteza, devo ou nao fazer. Se fizer ou se ir que diferença faz? Na minha vida sim. Mas para que? Acabaram com a verdade e agora com a certeza, e ficamos com a duvida. Sendo assim coisas que havia  a certeza de que existiam deixarão de existir. Por exemplo a verdade absoluta. Se a verdade absoluta nao existe então a gravidade também nao! Sendo assim o voo e livre. Adeus!


Um animal de vida livre

Hoje no jardim enquanto fazia meus exercícios ao olhar para a grama e a terra preta que nos sustenta eis que vi um tatuzinho. Há quanto tempo nao via um? Foi há tanto tempo, e nao me recordo mais do momento. Fiquei ali a olhar para ele lembrando que quando criança tentava pegar um deles e ele se transformava em uma bola. Agora adulta e envelhecida deixo que ele caminhe e siga de forma livre em seus afazeres. Crianças são curiosas, mas nao procuram saber com os pais o significado daquilo que veem, pois consideram aqueles que podem dar as respostas uns mau humorados, estão sempre com pressa. Hoje podem ir a um computador e tirar muitas informações como essa. Os tatuzinhos aceleraram o processo de decomposição. Este processo produz um fornecimento natural de nitratos, fosfatos e outros nutrientes componentes que as plantas precisam para prosperar agora e em futuras estações de cultivo. Não pica, não morde e não faz mal às pessoas É totalmente inofensivo e importante para o equilíbrio do ambiente. Ajuda a “limpar” o jardim ao se alimentar de restos orgânicos, participa da reciclagem de nutrientes no solo. Nem todo tatuzinho se enrola Essa habilidade depende da espécie. Interessante tudo isso. Uma pequena informação sobre as maravilhas daquele que é  perfeito em conhecimento. 



Um animal, mas não tem ossos 
com um pouco de luz
nos olhos, irremediável,
às vezes julgávamo-nos criaturas heroicas
e corríamos ao jardim para toca-los com a mão 
Escutávamos 
belas palavras, as vozes assumiam o mesmo calor
e sentíamos o prazer da ação.
Mas depois, entre ruínas, comendo as migalhas do sobrevivente,
compreendíamos enfim. 
Ao amanhecer com a chegada do sol,
com os tatuzinho de jardins a emergir dentre a terra,
avivávamos a esperança para afugentar a peste
e chorávamos pela geração seguinte.

Assim era a vida em tempos idos, assim é a vida em hoje em dia. Vida que envelhece em idas seguidas aos médicos. Alguma doença preocupante? Não, exceto as normais que decorrem com o envelhecimento. Envelhecimento esse, devido sermos pessoas imperfeitas desde o nascimento com nosso DNA carimbado as palavras: doença e morte. No inicio quando sentia algo estranho como alergia, tinha que entrar em contato com pessoas amigas para saber sobre algum remédio sem contra indicação de uso comum. Tendo eu direito a ter um convenio medico tudo mudou de figura, e agora de um medico ando pulando a outro e assim por diante, tendo vontade ate de dizer agora chega, embora tenha sido uma experiência interessante, pois tenho visto muitos emigrantes na linha de frente medica, cumprindo com suas obrigações e sonhos realizados motivos de orgulho para todos. Hoje em minha consulta com um oftalmologista ele voltou a perguntar se eu tinha um membro da família com glaucoma. Sim, eu tinha. Meu pai. Quando esse atingiu o cabo da boa esperança (a velhice) seus olhos já estavam em uma nevoa, nao havia mais brilho, luminosidade. O meu esta no inicio, pouca coisa e o especialista em olhos, ira cuidar disso para nao expandir, e chegar a cegueira. Será possível? Nao importa muito. Afinal  assim caminha a humanidade. De promessas e esperanças. Uma coisa interessante foi descoberto nessas idas a consultórios médicos. A minha artrose aquela que descobri existir em minha coluna, depois de uma ressonância magnética por volta do ano de 2010, simplesmente desapareceu, depois de uma nova ressonância magnética em 2026. A antiga havia exposto uma artrose, um bico de papagaio, e pedras no rim, as pedras eu sei que desapareceram , pois saíram na urina, mas o resto. Como assim? Eu sei bem como assim. Tem pessoas que nao acreditam em milagres. Eu nao tenho duvidas quando se tem fé. Um pergunta: Fé é o mesmo que desejo ardente e obsessivo? Penso que caminham lado a lado. Pois bem. Nao sei se já contei essa historia, mas nao custa repetir... Devo ter escrito em minhas antigas agendas mas ainda nao cheguei nessa pagina. Senta que lá vem a historia. Foi a medica que segurava minha mão na passagem do cabo da boa esperança quem pediu uma ressonância magnética, depois que reclamei sobre algo que parecia um prego enfiado na sola do meu
pé. Ela simplesmente disse: "Coluna. Vou pedir uma ressonância". Foi ao chegar com a ressonância que cai de cama com uma dor horrível na coluna que impedia que ficasse em pé. Deitada com dor, deitada banhada em lagrimas. Ia nas urgências e eles receitavam tramal com soro, era o mesmo que agua. Estava naquele momento pandêmico quando ao pesquisar sobre alivio, veio a minha mente bolsa de agua quente e relaxar, Dito e feito. Abandonei tramal e rivotril. A dor simplesmente foi sumindo como nuvem. E ao perceber que por um motivo ou outro ela teimava em voltar, fui aprendendo como trata-la. Nao carregar pesos alem do que podia carregar, como um botijão de gás, ficar em pé ou sentada por longo tempo e trabalhos exaustivos. E  fiz um trato com a inquilina indesejada, ja que eu nao podia despeja-la, disse a ela que podia ficar e que eu nao a incomodaria e muito menos ela me incomodaria. E assim se deu. Os anos passaram de vida com atenção e cautela onde tudo se fez em paz entre nos. Agora, depois de anos ao fazer nova ressonância, nao se detectou artrose alguma. Mas como? Perguntava? Ela se mudou? Sumiu? Assim do nada? Parece que sim. Nada. Artrose e bico de papagaio desapareceram sem deixar vestígios. Intrigada, fui pesquisar no pai dos burros (O google) Ele respondeu: Não, a artrose e o bico de papagaio (osteófito) não "deixam de existir" ou desaparecem. Como são alterações degenerativas e mecânicas, uma vez que a cartilagem se desgasta e o osso cresce para tentar estabilizar a articulação, essas estruturas não se regeneram sozinhas. Apesar de não terem cura definitiva, os sintomas podem ser controlados e a progressão do desgaste pode ser significativamente reduzida. 
Em resumo, nunca fiz nada, os únicos exercícios que fiz foi caminhar e amar a natureza em meus caminhos embora com direito a algumas tristezas e lagrimas, mas nada para sempre e agora dizem que nada existe e o para sempre definha. Nao estou reclamando, muito pelo contrario, estou feliz que ela tenha ido atormentar em outra freguesia. Se foi um milagre melhor ainda, pois nunca deixei de acreditar.


O ipê roxo que eu plantei no ano de 1999, cresceu e floriu durante todos esses anos. A pequena muda que o professor Miguel me presenteou cresceu de forma vertiginosa, embora sendo cuidado nao mais por mim, e sim por pessoas que amam as arvores e cuidam para que nao derrubem ou as envenenem. São os membros do que restou de minha família. Quando as flores caem no chão é a coisa mais linda de se ver. Os anos passaram, os passarinhos fazerem seus ninhos, macaquinhos apareceram, as fotos surgiam, e então assim como nos a arvore envelheceu, nao muito, mas o suficiente para que uma bactéria entrasse em suas raízes e as flores deixassem  de acontecer em quantidades e eram poucas e já nao caiam aos montes como antes. Deviam ter saudades assim como sua dona tinha dos anos passados, da ida ate a casa do professor, da sua sala suas estantes repletas de livros, seu sorriso, sua sabedoria para quase tudo sobre essa terra. Assim como Miguel que se foi no ano de 2000, eu tenho saudades da  casa de dois cômodos, na avenida Cacilda,  das estantes de ferro e de madeira cheias de livros, dos cadernos, as agendas onde escrevia sobre minha vida. Tao simples e ate hoje com tão pouca ambição, a nao ser viver um dia de cada vez.


Porque não vou te ver durante dois dias, porque meu coração está cheio de coisas para te dizer, coisas que não sei dizer, que não ouso te dizer, mas que são ditas através destas poucas linhas coloridas: que tudo volte a ser como antes: estonteante, (tudo isso quer dizer: me perdoa).
 (Roland Barthes) - 
Autor do livro que carreguei comigo durante anos e que despareceu, mas nao importa, o que importa são as emoções que ele deixou. Levei comigo em algumas viagens, Sempre levo um livro, talvez por medo da tagarelice que pode entrar dentro do meu silencio, tagarelices vãs. 

Tento recordar teu rosto, nome. Curioso, como às vezes nos escapam os traços da pessoa amada. Situo-te num passado já distante. Não te imagino num presente. De ti resta-me o que foste comigo. E foste-me ternura e descoberta do meu corpo, de minhas mãos até então inábeis que ensinaste a acariciar teus cabelos, a sentir teu corpo; e ainda descoberta de que a minha voz tinha um sentido para além de sons mais ou menos indistintos e vagos.

Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente?...

A errância amorosa tem seus lados cômicos: parece um balé, mais ou menos rápido conforme a velocidade do sujeito infiel; mas é Wagner também uma grande ópera. O Holandês maldito é condenado a errar sobre o mar até encontrar uma mulher de uma fidelidade eterna. Sou esse Holandês Voador; não posso parar de errar (de amar) por causa de uma antiga marca que me destinou, nos tempos remotos da minha infância profunda, ao deus Imaginário, que me afligiu de uma compulsão de fala que me leva a dizer “Eu te amo”, de escala em escala, até que qualquer outro escolha essa fala e a devolva a mim; mas ninguém pode assumir a resposta impossível (que completa de uma forma insustentável), e a errância continua. 

Como termina um amor? - O quê? Termina? Em suma ninguém - exceto os outros - nunca sabe disso; uma espécie de inocência mascara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça ou passe à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo se dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente ei-lo sem brilho (o outro nunca desaparece quando e como se esperava). Esse fenômeno resulta de uma imposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim de minha história de amor: sou o poeta (o recitante apenas do começo); o final dessa história, assim como a minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam romance, narrativa exterior, mítica. 


Essa sou eu em Monte Verde, Minas Gerais, Brasil. Explodindo em emoções pelos seus autores favoritos, embora já tivesse passado pelo ano de 1996, o ano da histerectomia. As emoções já nao vinham de fora para dentro agora saiam de dentro e evaporavam pelo mundo em forma de energia onde sumiam espalhadas pelo vento do mar aberto. 
💘
Faço discretamente coisas loucas; sou a única testemunha da minha loucura. O que o amor descobre em mim, é a energia. Tudo que faço tem um sentido (posso então viver, sem me queixar), mas esse sentido é uma finalidade inatingível: é somente o sentido da minha força.

Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum. 

Que é que eu penso do amor? – Em suma, não penso nada. Bem que eu gostaria de saber o que é, mas estando do lado de dentro, eu o vejo em existência, não em essência. O que quero conhecer (o amor) é exatamente a matéria que uso para falar (o discurso amoroso).

A cada instante do encontro, descubro no outro um outro eu-mesmo: Você gosta disso? Ah, eu também! Você não gosta disso? Nem eu! […] O Encontro faz com que o sujeito apaixonado (já capturado) sinta a vertigem de um acaso sobrenatural: o amor pertence à ordem (dionisíaco) do Lance de dados.

Todo contato, para o enamorado, coloca a questão da resposta: pede-se à pele que responda.
(Pressão de mãos – imenso dossiê romanesco –, gesto delicado no interior da palma, joelho que não se afasta, braço estendido, como por acaso, no braço de um sofá e sobre o qual a cabeça do outro vem pouco a pouco repousar, é a região paradisíaca dos signos sutis e clandestinos: como uma festa, não dos sentidos, mas do sentido)

💘



MarciaLailin
MarciaMesquita
MarciaPayne

Califórnia -  Maio 2026 - Revisando a vida como ela é -


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