Diario de bordo
Contaram-me que as letras descansam de lado, nas páginas macias dos livros antigos. Outros, afirmam que os textos mudam ao sabor das edições; nenhuma se compara à leitura inicial.
Há ainda quem me confidencie que recebe os livros de braços abertos, às vezes até com as pernas, e dou por mim a olhar para as lombadas que me rodeiam; a senti-las latejar como um animal magnifico, alheio a interpretações domesticas.
Se estender a mão, sei que o irei acordar; prefiro entreter-me a escrever este texto, onde as letras ainda são verticais e se estampam no papel, como uma mancha de tinta, uma ave suicida, um eco sem som.
Jorge Fallorca
Os poetas portugueses surgiram em minha vida depois que passei do cabo da boa esperanca, atingi esse cabo depois dos quarenta anos. Que grande tormento foi viver ao lado de Camus, Sartre, Dostoiewski, Goette, Kafka... é melhor parar por ai, pois quero guardar alguma coisa de produtiva desses e de outros. Foi com os portugueses que eu aprendi a rir daquilo que nao podemos mudar e nas melhores das hipoteses falar um palavrao ou responder com a maxima portuguesa: E a vida! Quando ouvia eles dizendo isso tinha vontade de responder: Essa vida de bosta? A minha vida ao lado deles me fez entender que sim, que era uma vida de bostas que eu tinha que suportar e tirar o melhor que ela tinha a oferecer. Como se fosse possivel. Sim, era possivel. Foi possivel. E agora e preciso contar a historia, embora na terceira pessoa, segunda primeira, de alguma forma em que se possa montar o cubo magico. Foi se o tempo em que eu ficava triste ao ouvir Gnossienne 1, hoje musica triste foi feita para escutar, relaxar, dormir agradecer por mais um dia, e filmes depressivos servem para analisar o ator se e bonito ou feio, se representa bem e se todo cenario em volta combina com o semplante do ator e o fundo musical. Fora isso nada mais, acabou-se o drama passado.
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