Acompanhando os tempos - Avec les temps

 

Estava procurando uma musica de Leo Ferre, tão lindo ouvir sua pronuncia em francês, embora nao entenda por que diabos ele canta musicas com uma letra tão profunda e tão triste. Depois que aprendi com o professor Miguel sobre ironia e sarcasmo nao suporto mais tragédias exceto se tiver que representar algum dia um personagem trágico de Shakespeare, fora isso decididamente estou fora de tragédias. Escrever é  possível, sentir é outro espaço a ser considerado com parcimônia. Nao tive como resistir a Avec les ttemps. O lord a cantava como ninguém. Nao tinha como resistir a voz daquele homem a cantar as musicas de Leo Ferre e ver ele trazer para um pais conhecido como bostil, habitado por pessoas que nunca abandonaram seus maus costumes e falta de cultura. Quando se conhece outros horizontes sente-se pena, lord nao conseguia sentir isso e demonstrava sua angustia e saudades da terra em que havia sido criado, enquanto naquela sala com um copo de vinho tinto em suas maos cantava, cantava... e encantava

Avec le temps...

Avec le temps...

Avec le temps — tu vois — tout s'efface.

On oublie le visage, et on oublie la voix.

Quand le cœur cesse de battre, il est inutile

De chercher plus longtemps ; il faut simplement laisser faire, et

c'est tout à fait naturel.

Avec le temps...

Avec le temps, tu vois, tout s'efface.

L'autre — celui qu'on adorait, celui qu'on cherchait sous la

pluie.

L'autre — celui qu'on devinait au détour d'un regard.

Entre les mots, entre les lignes, et sous le fard

D'un serment peint qui s'enfuit dans la nuit.

Avec le temps, tout s'évanouit.

Avec le temps...

Avec le temps, tu vois, tout s'efface.

Même les plus doux souvenirs prennent un aspect si fantomatique.

Dans la « Galerie des Babioles », je fouille les étagères de la mort.

Les soirs de samedi, quand la tendresse

s'en va, toute seule.

Avec le temps...

Avec le temps, tu vois, tout s'efface.

L'autre — celui en qui l'on croyait, à cause d'un rhume, ou pour absolument aucune raison.

L'autre — à qui l'on donnait du vent et des bijoux.

Pour qui l'on aurait vendu son âme pour quelques sous.

Devant qui l'on rampait, tout comme le font les chiens.

Avec le temps, tu vois, tout s'arrange.

Avec le temps...

Avec le temps, tu vois, tout s'efface.

On oublie les passions, et on oublie les voix.

Celles qui te chuchotaient — les mots des gens simples :

« Ne rentre pas trop tard ; surtout, ne prends pas froid. »

Avec le temps...

Avec le temps, tu vois, tout s'efface.

Et tu te sens effacé, comme un cheval épuisé.

Et tu te sens glacé, figé dans un lit quelconque.

Et tu te sens totalement seul, peut-être — mais en paix.

Et tu te sens trahi par les années perdues.

Alors vraiment...

Avec... Avec le passage du temps, on n'aime plus.



Com o tempo...
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
Esquecemos o rosto, e esquecemos a voz
Quando o coração para de bater, não adianta
Procurar mais; você só tem que deixar estar, e
isso é perfeitamente natural
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
O outro — aquele que adoramos, aquele que buscamos na
chuva
O outro — aquele que pressentimos no desviar de um olhar
Entre as palavras, entre as linhas, e sob a maquiagem
De um voto pintado que se escorrega para a noite
Com o tempo, tudo se desvanece
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
Até as memórias mais doces assumem um aspecto tão fantasmagórico
Na "Galeria de Bugigangas", vasculho as prateleiras da morte
Nas noites de sábado, quando a ternura
vai embora, completamente sozinha
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
O outro — aquele em quem acreditamos, por causa de um resfriado, ou por nada em absoluto
O outro — a quem demos vento e joias
Por quem teríamos vendido nossas almas por alguns trocados
Diante de quem nos arrastamos, tal como fazem os cães
Com o tempo, veja você, tudo acaba bem
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
Esquecemos as paixões, e esquecemos as vozes
Que lhe sussurravam — as palavras de gente simples:
"Não chegue em casa muito tarde; acima de tudo, não pegue um resfriado"
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
E você se sente desbotado, como um cavalo exausto
E você se sente gelado, congelado numa cama ao acaso
E você se sente totalmente sozinho, talvez — mas em paz
E você se sente traído pelos anos desperdiçados
Tão verdadeiramente...
Com... Com o passar do tempo, já não amamos.



São tantas as agendas que eu nem sei por onde começar. Que tal pela de 1970? Ainda estou pensando. Talvez comece a contar as caminhadas nas montanhas de Monte Verde, onde  sozinha e descalça subia por horas e horas, pois nao tinha pressa, tinha tempo. As pessoas perguntava se nao tinha medo. Sim tinha, dos humanos que iam ficando para trás. Medo existia, de um Fred Krugger se materializar por meio de alguma arvore espantalho da montanha. Seguia atenta e só ouvia o som dos pássaros e da  respiração quando se tornava lenta, cansada. Subia, com seus livros, sua agenda, canetas e uma lata de tinta para escrever seu nome nas pedras que ia encontrando pelo caminho. Nao havia ninguém para que consigo relembre esse tempo, nenhuma testemunha a nao ser Deus, ate a maquina era programada para as fotos, Nunca levava comida, muito menos agua. Agua havia na trilha, gelada diretamente de uma fonte existente na montanha. Quando ouvia vozes de algum turista subindo se escondia, era como se alguém estivesse invadindo sua casa. Hoje é estranho pensar como pode fazer tudo isso, sair por ai sem eira nem beira, sem se destruir como gente sem destruir a sua mente e o corpo em uma vida que nao foi errante mas de auto conhecimento de si e de outros, mas o que se ganhou com isso? Dinheiro nenhum. Mas ter colocado o pé na terra úmida e preta, ter parado para ouvir o canto dos pássaros em um silencio seu e deles, ter parado para ver a floresta e nao somente uma arvore, tudo lhe parece como alguém  dizendo que loucura foi isso? Sim que loucura foi isso? Mas toda vez que pensava nisso a noite quando deitava sua cabeça no travesseiro e pensava e escutava novamente o som do vento, o frio gostoso e o sol a acariciar a sua pele embora fosse de alguma forma algo amedrontador. Algo como um pesadelo. Era cobrada a ser como todos a ficar como todos, teria que participar da corrida ao pote de ouro como a massa humana. Chegou a conhecer o que faziam, nao teve escapatória.  Participou, caminhou com eles na corrida, nos trens cheios, atrasados, pessoas cansadas empurrando umas as outras para encontrar um lugar para fazer de cama, as cinco da manha encostadas no banco, ou nas grades, penduradas com os olhos fechados dormindo, um sono pesado,  carregando agasalhos e mochilas com suas marmitas e seu café, talvez um pequena garrafa de cachaça para suportar o meio dia, para o termino do longo e cansativo dia. Sabia como era, também fez parte nos subúrbios de São Paulo, nos metros do Porto e seus auto carros, em suas caminhadas pelos metros que ligavam a Roma e outros a Bordeaux, e o caminho mais esperado a levou ate a casa de Anne Frank. Eram destinos traçados em linhas invisíveis. Hoje tudo passou, acomodou-se, mas sente saudades.


Vamos lá vamos lá... Neste domingo as sete horas da manha. Incrivelmente incrível acordei disposta, com minhas olheiras naturais e remelas nos olhos embaçados que teimam em caminhar para um glaucoma. Se fosse uma mulher supersticiosa bateria na madeira, mas nao, respeito meu DNA defeituoso, afinal o processo do envelhecimento é  algo que devemos suspirar diante do impossível de mudar, mas tolerar, talvez consiga fazer dele o que fiz com minha artrose e o meu  câncer uterino em 1996, o ano da minha ressurreição. Neste domingo ano de qual dia? Dezoito de maio de 2026. 


Por que insisto em recordar a casa localizada em Turn left da rua principal que liga a Vila Operaria? Porque o ambiente lembra as antigas casas que habitei por volta dos tres anos no estado em que nasci. Exatamente, somos capazes de ter recordações nao somente dos nossos quatro anos mas de um pouco mais atrás. Ao contrario dessa casa aquela em que vivi nao tinha forro, via as madeiras que segurava as telhas e também lembro das redes espalhadas, eram nossas camas. Essas historias devem estar anotadas em outras agendas e antes que eu esqueça, na casa da foto vivia uma senhora que contou a sua historia. Naquele dia ela sentia prazer em contar, parecia uma necessidade urgente e eu a ouvia com interesse, pois foi a única coisa que desejou todos aqueles anos: ouvir, a historia vivida dos habitantes daquele vale que amava. E ela nao poupou e nem se poupou. Nao se poupou em ouvir e anotar seus últimos momentos em um caderno agenda, tinha tempo e paciência de sobra. Interessante que nao são precisos muitas horas para viver uma vida, bastam alguns segundos bem vividos. Nunca gostou muito de falar, mas sim de observar. Começou a tagarelar depois que tiraram aquilo que a estava matando, e então foi como tomar a pílula do doutor caramujo. Isso foi bom, foi uma catarse. Embora tenha abandonado por um tempo as agendas e quando voltou a elas já nao tinha mais a mesma sofreguidão. As fotos dizem muito sobre a pessoa que subia as montanhas descalça, sem nunca ter sido acometida por um espinho um prego ou caco de vidro. Cobras tinha visto, mas elas estavam tão sossegadas enroladas atrás das pedras a se esquentar em sua quentura, apenas olhava e seguia seu caminho sem alterações de humor, procurando uma pedra ao sol para descansar o corpo cansado que caminhava para uma degeneração. Encontrava o cume da pedra partida e ali ficava por tempo indeterminado. Sem preocupações com o que pensavam ou o que falavam, pois sempre soube que teriam os piores pensamentos, embora nao tivessem lugar para habitar ou para ultrapassar o limite que os colocava, de gente que um dia seriam esquecidos ou lembrados conforme suas ações. Atravessava as fronteiras da solidão e isso a ajudou para os dias posteriores


Foram meus avec les temps.
Com o tempo, veja você, tudo se esvai
Esquecemos as paixões, e esquecemos as vozes
Que lhe sussurravam — as palavras de gente simples:
"Não chegue em casa muito tarde; acima de tudo, não pegue um resfriado"
Com o tempo...
Com o tempo, veja você, tudo se esvai

Interessante como um dia sem esperar você encontra na letra de uma musica que você já ouviu sem perceber toda uma vida, a sua vivida, sem perceber como ela caia como uma luva a tudo aquilo que você viveu. E nao é somente uma se procurar bem são varias, mas nao são preciso tanto basta uma. A interpretação que Leo Ferre faz da musica é tão importante quanto o conteúdo da letra. De onde ele adquiriu a calma de outro mundo para cantar por meio da musica sua própria vida? Eu quando começo tenho que levantar tomar um café, um copo de vinho, comer algo destrutivo, como um ice cream. Queria ser como eles. Envelhecer de forma soberba e contar tudo tim por tim tim. Sem choro e sem velas, muito menos com saudades, pois a saudades atrapalha um pouco. Nunca devemos voltar ao local por onde pisamos, se conseguirmos ir com a mesma idade que fomos um dia pode ate ser. Se nao for assim, esquece. O coração nao será mais o mesmo estará terrivelmente fragilizado.
Naquela época, a vida era bela
E o sol mais ardente que hoje
As folhas mortas coletadas com a pá
Você vê que eu não esqueci
As folhas mortas coletadas com a pá
As lembranças e os arrependimentos
E o vento norte carregá-los
Na noite fria do esquecimento
Você vê, eu não esqueci
💓
In those days, life was beautiful
And the sun more ardent than today
The dead leaves gathered with a shovel
You see that I have not forgotten
The dead leaves gathered with a shovel
The memories and the regrets
And the north wind carrying them away
Into the cold night of oblivion
You see, I have not forgotten

Mais um a cantar a vida por todos nos Yves Montand


Amo a Fontana di Trevi, mas também amo outros como a capela Sistina. Ate esqueço quantas vezes fui ate ela, somente para ver mais uma vez. Ah, mas terá sempre alguém a nao ver nada a nao ser minha imagem e a dizer: Nossa como você esta gorda. Ou, bem que o Julio disse que você esta quadrada. Ou, nossa quanta rugas. Interessante que os que se focam nisso nao tem espelho em casa ou se tem é para direcionar para outra casa, esperando encontrar outro rosto e outro corpo que nao o seu. Quanto ao tempo, esperar o que depois do julgamento no Éden? E depois nos dias atuais existe o Cabo da Boa Esperança. E por falar no cabo, terei que contar a origem dele, pois nem todos sabem seu significado histórico e popular. A expressão popular "dobrar o Cabo da Boa Esperança" significa superar um grande obstáculo, passar pela fase mais difícil de uma situação ou alcançar a maturidade. Popularmente, também é usada para se referir à "terceira idade" ou à fase final da vida, simbolizando a superação de muitas tormentas. Simples assim. Historicamente significa o seguinte: O Rei D. João II de Portugal depois de longo tempo de tedio coçando os culhões criou esse nome para simbolizar a esperança de encontrar o caminho marítimo para as Índias, o que confirmava a ligação entre os oceanos Atlântico e Índico. Quanto a Fontana de Trevi eu sempre desejei ficar imaginando que ela foi criada especialmente para ter Marcelo e Anita dentro dela com a magnifica direção de Fellini. Mas nao. A Fontana di Trevi tem sua origem no antigo aqueduto romano Aqua Virgo, construído em 19 a.C. pelo general Marcus Vipsanius Agrippa para levar água a Roma. O monumento barroco que conhecemos hoje foi encomendado pelo Papa Clemente XII, projetado pelo arquiteto Nicola Salvi e inaugurado em 1762. 



Ultrapassar o cabo da boa esperança tem um curto período de começo meio e fim. Aos cinquenta se inicia e dificilmente ultrapassa os noventa. Ao contrario da Fontana e do Coliseu. Afinal quantos séculos fazem que eles nos contemplam? Para continuar sem enchecão de linguiça e ir diretamente aos fatos terei que procurar minha agenda do anos em questão, onde poderei encontrar os motivos. As fotos nao trazem uma realidade do monumento. Interessante que existem outros que considero bem mais interessante que esses. Como uma noite enluarada, onde nao precisamos gastar nada para ver. Basta levantar os olhos. Esse tema ira ficar muito grande se eu der continuidade sendo assim  agora vou terminar minha taça de ice cream e procurar outras direções para chamar minha atenção. E começar um outro dia com um novo titulo, pois as historias são longas. E quem hoje aguenta ler um clássico? Quem Leria um Guerra e paz ou A montanha magica? Cinco pessoas? Sim!



MarciaLailin
MarciaMesquita
MarciaPayne

Eis meus heterônimos em pessoa

Califórnia 17/05/2026

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