No silêncio de um olhar

 

Hoje acordei pensando: nao vou sair, já vi tudo. O que pode ter mudado? Tudo mudou ate os gatos são outros além do que hoje meus olhos viram o que te dão vistos ninguém mais vê. O sino de ferro, o gato de ferro, a foto do artista morto, gatos pretos. E eu pensando: Tu de novo no mesmo caminho olhando para as mesmas coisas, já nao viu tudo isso ontem?  


Nao vou sair já vi tudo. O que pode ter mudado? Tudo mudou. É isso. O mesmo caminho nunca é o mesmo caminho. Porque o seu olho de hoje nao é  o mesmo de ontem.


O sino de ferro - Aquele sino enorme,  enferrujado, pendurado na viga de madeira. Ele esta ali para chamar, mas ninguém mais toca. Hoje eu vi a corda vermelha dele. 


O gato de ferro - as duas esculturas de Corten que eu filmei. Aquelas duas onças, ou pumas, ou gatos de rua gigantes, feitas de cilindro enferrujado, com rabo comprido apontando para o céu azul de Los Angeles. São guardiãs do estacionamento. Ontem eram só ferros velho, hoje são felinos. 

Os chapéus - tres chapéus pendurados, como frutas em arvores. O de palha com a pena azul e amarela, esperando alguém. 


A santa - voce encontrou outra, uma mulher de pedra, de manto, com a mão no peito, escondida atrás dos ramos secos com florzinha amarela. Ela é outra hoje também.

E os gatos, ah os felinos:


 

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