sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Capitu, Bentinho e o vampiro de Pirapetinga



Dom Casmurro - O reverso da medalha -

Resenha - de Mlailin - 
Lei de Direito Autoral (nº 9610/98)

Bentinho - educado por duas mulheres: prima Justina e a mãe e por um agregado da família: José Dias 

Como não tinha opção ele se encantou pela vizinha. Não conheceu outras mulheres, não teve outros amigos. Tudo o que fazia era única e exclusivamente com Capitu. Criou uma personalidade do meio em que vivia. E o pior de tudo: não teve opção de se conhecer de identificar seus sentimentos. Quando uma criança sente ciúmes, o normal é chamar sua atenção. Bentinho não se percebia, não identificou seus sentimentos.
Na realidade ele era apaixonado por Escobar 





Capitulo LXV - A Dissimulação
" Os padres gostavam de mim, os rapazes também, e Escobar mais que os rapazes e os padres"

No primeiro dia em que Escobar foi jantar em sua casa, a prima Justina achou que Escobar era um moço apreciável apesar... (apesar do quê?) - Capitulo LXXI - A visita de Escobar

No mesmo capitulo... Quando bentinho foi leva-lo até o ponto de ônibus...
"Separaram-se com muito afeto, ele de dentro do ônibus ainda me disse adeus, com a mão. Conservei-me a porta, a ver se, ao longe, ainda olharia para trás, mas não olhou".

Quando vira para trás ele vê Capitu, dai ficou dias amuado com Capitu porque ele inconscientemente achou uma desculpa pelo que ele estaria sentindo por Escobar.





Antes de Escobar morrer ele deixa transparecer que estaria apaixonado pela esposa do amigo. Era a desculpa para possuir o corpo do outro. Bentinho não identificava o que sentia e assim castigava Capitu pelo seu sentimento mal resolvido.
Ele gostava de Capitu como pessoa, amiga, 

como uma mulher que gostaria de ser. 
Uma mulher que se interessava por tudo a sua volta, que tinha vida.




Capitu era Capitu, isto é, uma criatura mui particular, mais mulher do que eu era homem...  

(Capitulo XXXI - As curiosidades de Capitu)





A personalidade de Bentinho foi sufocada pela religião, pela educação exclusivamente materna. Sua sina era ficar no armário pelo resto da vida, não tinha saída, não tinha gaveta. Vitima de uma sociedade tacanha, uma religião castradora que não deixa os sentimentos serem verdadeiros e a época

 (inicio do século XX). 
Imagine ele saindo pro mundo e gritando: "Eu amo Escobar".
E Escobar ainda antes de morrer mostra os músculos...

"Quando houvesse alguma intenção sexual, quem me provaria que não era mais do que uma sensação fulgurante, destinada a morrer com a noite e o sono?"
Capitulo CXVIII - A mão de Sancha
e capitulo CXX - Os autos

Lailin - Tirando Bentinho do armário



Bentinho

Mascarou o seu sentimento e,


tendo o hábito de ocultá-lo


dos outros, acabou


por finalmente ocultá-lo de si mesmo


Lailin




                                      
                                   O vampiro de Pirapetinga




E assim tem sido durante séculos

os vampiros só mudam de país e de nome

a finalidade é sempre a mesma


tirar do outro aquilo que eles não tem

começam pelo mental passam raspando no  espiritual

terminando no material

A carta estilo de Pero Vaz: "Terra a vista"


muda para: "Mulheres e vida mansa a vista"

Para não ocorrer uma usurpação

O segredo é leva-los a uma casa diferente


bem primitiva e simples


diga a ele  que é a sua

Percebera o suspiro de decepção do homem logo no portão

Caso aconteça ao entrar

bater a cabeça no armário não se preocupe

nem por um minuto desconfiará,

ou seja

perguntará se não sabia que


o armário sempre esteve ali

A partir dai

dê tempo ao tempo

e descobrira

para que veio realmente

e não foi para criar galinhas

se souber jogar

só irá tirar de você

uma forma de bolo

alguns panos velhos de prato

e uma cortina de banheiro









2 comentários:

Míriam Guedes disse...

Olha, gostei da matéria!!!

marcia lailin disse...

Aqui é um pequeno aperitivo
gostará mais do conto
quando pronto