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METAMORFOSE

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Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.  (Rubem Alves) O horror será a minha responsabilidade até que se complete a metamorfose e que o horror se transforme em claridade. (Clarice Lispector)

Noite densa, noite de trevas - MISSING

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Noite densa, noite de trevas. Todas as pessoas que caminham pelo calçadão param para olhar a foto da jovem de olhos azuis e cabelos encaracolados. Sua foto esta estampada junto com outros em um aviso de desaparecidos. Os transeuntes olham com pena e ouço quando suspiram e sussurram: “Uma moça tão linda! Onde esta?”. Eu também fiz a mesma pergunta. Sim, alguém sabe. Alguém deve ter visto. Enquanto me afastava ainda ouvi uma senhora dizendo: Vinte anos, uma menina. Ana Paula Moreno Germano, naquela noite havia dito a sua mãe que deixasse sua janta dentro do micro-ondas,   jantaria mais tarde   quando chegasse, estava atrasada. Era quarta-feira dia de ir à igreja. Por volta das 5 horas da manhã, do dia 03.10.2009, deu um beijo na mãe e saiu rapidamente antes que se atrasasse mais ainda. A noite estava agradável, noite quente de verão. As pessoas voltavam para casa e algumas caminhavam com pressa tendo nas mãos sacolas de compra de supermercado. Ana estava feliz, tinha participa...

"LOUCO!"

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Qualquer semelhança não é mera coincidência Juvenal havia pedido a seu patrão para sair uma hora antes do horário. Sua esposa Maria queria que ele chegasse mais cedo para ajuda-la com o jantar para o filho. Quer dizer não era seu filho. Era o filho mimado de sua Maria, sua querida Maria. Quase cinquenta anos de casamento, tinha veneração por ela. E assim Juvenal correu para fazer sua vontade. Eram quase 19Hs. e Maria do Juvenal estava na metade do jantar. Depois de quatro anos com o filho morando em Hortolândia, aquela para ela seria uma noite especial. Iria comemorar a volta do filho querido. Tanto tempo longe. Essa não era a primeira vez, ele já esteve uma vez em Araraquara. Mas a vida é assim mesmo. Que família hoje não sofria? Por ele era capaz de qualquer sacrifício. Até mesmo de sacrificar a sua vida, como fez muitas vezes. Os vizinhos podiam sentir o aroma gostoso de um frango sendo frito numa panela de ferro. Mesmo com os olhos cansados e sentindo uma dor insuportável no nervo...

Da condição humana

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Na luta contra a realidade o homem tem apenas uma arma: a imaginação”             Estou morando a uma semana na Rua 24 de maio no décimo segundo andar. Fui contratada para cuidar de um senhor de 97 anos. Há seis meses esse homem não anda mais e passa a maior parte do tempo dormindo. Esta inválido. Ele apertou minhas mãos em sinal de que gostou de mim – e eu gostei dele. Foi à primeira vista. Logo que entrei naquela casa quando vi aquele idoso de cabelo branco deitado, automaticamente, lembrei-me de meu pai em seu leito de morte. A mesma imagem do homem que fora tão forte um dia, agora estava ali estirado naquela cama, tão frágil, miúdo, os olhos cansados e tristes como um animal encurralado. Senti que a chama da vida se apagava. E eu teria que afastar os olhos para algum ponto na parede, uma mancha, uma luz, um quadro, alguma coisa que desviasse minha atenção do fato que sempre acaba me levando ao choro. Mas não havia saída para onde es...

Layla e Eu

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MISSING

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“Procuro nas nuvens o seu sorriso. Soube que é seu último rastro...”           O sentimento de perda debilitou-me. Passei a noite toda pensando onde encontra-lo.           - Onde? Onde quiser – Digo a mim mesma enquanto olho nuvens negras se formando.           - Carlos! – Quando pronunciava em meu íntimo o seu nome, um meigo olhar, envolto nas dobras de uma manta, e um sorriso lindo nos lábios brilhou diante de mim, e logo depois desapareceu como um fogo fugaz pela esquina da Praça Oswaldo Cruz.           - Carlos! – Voltei a chamar enquanto entrava na casa das rosas.           Precisava entrar na biblioteca. Um lugar silencioso. Sentir palpável e viva a lembrança que desde a véspera flutuava em meu pensamento. A sua imagem perturbou-me com uma persistência est...

ENTROPIA

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"Como seria maravilhoso arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, verdes... Erguer o rosto para o céu e deixar que pelos meus lábios saia o arco-íris. Um arco-íris que cubra a terra de um extremo ao outro...” – Murilo Rubião. ..... "How wonderful it would be to tear red, blue, white, green sheets from my body... Raise my face to the sky and let the rainbow come out of my lips. A rainbow that covers the earth from one end to the other..." – Murilo Rubião. Acordei várias vezes durante a noite sentindo um frio gelado que entrava pela janela, mas se a janela estava fechada de onde vinha esse frio? Não iria levantar pra ver. Poderia pegar outro cobertor, mas isso significaria levantar da cama? Não! Era só levantar o corpo, o cobertor estava no final da cama. Esse simples processo poderia acordar meu cérebro e eu estava no meio de um sonho. Ele poderia se perder não que fosse bom, não existem mais sonhos bons, se é que algum dia eu tive algum. Eram todos repetitivos,...